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Relatividade do tempo no amor

Relatividade do tempo no amor
Poema

Eu juro que é agora —
ou pelo menos parece.

Ela passa…
linda, cheirosa,
amável, doce, sorridente,
dessas que sorri e o mundo acontece.

Forte — dessas que o vento respeita,
segura como porto na maré,
mas às vezes tão vulnerável
que o silêncio quase diz o que ela é.

Ela é poetisa…
dessas que rimam sem querer rimá,
e quando fala de música
até o silêncio começa a cantá.

E eu fico ali —
coração treme, treme,
as perna bambêa,
o peito bate bate-bate
como tambor de aldeia.

Acho que amo mil milhões,
ou mil bilhões — sei lá contar amor,
só sei que ela chega
e o universo cabe num olhar.

É tipo café forte demais:
me acorda por inteiro,
me vicia devagar,
e ainda queima os lábios…
mas quem é que consegue largar?

Engraçado…
ela nem sabe que foi ela
que me ensinou a escrevê assim,
foi ela que puxou de mim
um lado extrovertido
que nem eu sabia que existia em mim.

E eu penso que isso é agora.
Que ela ainda passa por mim na rua.
Que o coração ainda faz barulho
como chuva caindo na lua.

Mas espera…

não.

Agora que percebo:
eu tava falando no presente
de um amor que já passou.

Ela já partiu —
partiu-me ao meio,
e talvez nem tenha percebido
o tamanho do corte que deixou.

Só que tem ironia nisso tudo:
eu perdi o amor…
mas ganhei as palavras.

Perdi o abraço…
mas ganhei a escrita.

Perdi o “nós”…
mas descobri um eu
que nem sabia que existia.

Então não digo que foi ruim.
Seria mentira — e poesia odeia mentíra.

Na verdade…
foi bom demais.

Porque amar ela
foi como café forte:
doeu, queimou, acordou —

e no fim
me deixou mais vivo
do que antes. ☕💔✍️
#Amor#superação#curtidasporcurtidas