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À BEIRA DO ABISMO Teus lábios não prometem futuro, prometem apenas o gosto da…

À BEIRA DO ABISMO


Teus lábios não prometem futuro,
prometem apenas o gosto da tentação.
Teu olhar acende o lado mais escuro,
e desafia toda razão.

O silêncio veste a pele da noite,
cada segundo parece incendiar.
Não existe paz nesse açoite,
só vontade de se aproximar.

Teu perfume invade o pensamento,
feito fumaça sem direção.
Rouba o ar a todo momento,
desarma qualquer contenção.

A distância morre lentamente,
quando o desejo resolve vencer.
O corpo responde inconsciente,
sem pedir licença para acontecer.

Teu toque é chama que não avisa,
é tempestade sobre o cais.
Cada gesto perde a camisa,
e a prudência não volta jamais.

Nossos rostos quase se encontram,
como dois segredos sem perdão.
As dúvidas aos poucos desmontam,
presas dentro do coração.

Não existe conto de princesa,
nem promessas ao amanhecer.
Existe apenas a certeza
de querer e não esconder.

Teus olhos falam sem palavras,
teus lábios calam qualquer voz.
As horas parecem escravas
desse instante perdido entre nós.

Cada respiração desafia,
o limite que ninguém vê.
A coragem vence a covardia,
quando teus olhos encontram os meus outra vez.

O mundo desaparece inteiro,
como areia levada ao mar.
Só permanece o desejo verdadeiro,
que insiste em não recuar.

É um jogo sem vencedores,
onde ninguém deseja fugir.
São faíscas, impulsos e calores,
que só sabem existir.

E quando o tempo enfim desperta,
levando consigo a ilusão,
fica a lembrança sempre aberta,
gravada no fundo da emoção.

WILLAD LIMA
25 de junho de 2026
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