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A Dor que Fica

A Dor que Fica

Há uma dor que não se anuncia,
que não se veste de palavras,
que chega sorrateira,
como vento frio entre os ossos.

É silêncio em meio à multidão,
é lembrança que não se apaga,
é o eco de um abraço que nunca voltou,
é o rastro de sorrisos que já se foram.

Essa dor é antiga,
vem de memórias que insistem em viver,
de promessas quebradas,
de amores que se perderam no tempo
e deixaram apenas sombras em nossos dias.

Ela se esconde nos gestos simples:
no café que não tem mais sabor,
na rua que parece mais longa,
no silêncio que se alonga até a madrugada.

Mas a dor que fica também é estranha,
porque ensina a sentir,
porque faz da saudade uma companhia,
porque transforma lágrimas em coragem,
e o vazio em força silenciosa.

Há dias em que ela dói como punhal,
há noites em que ela grita sem voz,
há instantes em que parece que nunca passará.

E ainda assim… seguimos.
Seguimos porque essa dor que fica
nos lembra que somos humanos,
que amamos profundamente,
que nos entregamos sem garantias,
e que, mesmo feridos,
temos a coragem de sentir.

A dor que fica não é inimiga,
é guardiã de nossas histórias,
testemunha das nossas quedas e vitórias,
eco do que fomos,
e do que, mesmo com cicatrizes, ainda somos capazes de ser.

Então, mesmo quando a saudade queima,
quando a lembrança corta o peito,
quando o silêncio é pesado,
abraçamos essa dor que fica,
pois ela nos faz mais inteiros,
mais sensíveis, mais vivos.

E em cada suspiro,
em cada lágrima silenciosa,
em cada memória que insiste em voltar,
percebemos que a dor que fica…
é também a beleza de termos amado.

Porque a dor que fica é eterna,
como o amor que não se esquece,
como os sonhos que insistem em nascer,
como a vida que, mesmo marcada,
segue adiante, resiliente e intensa.


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—Paulinha Cunha—