A Espera do Infinito
Existe um tempo que não se mede em relógios,
um tempo que se esconde nas entrelinhas do sentir,
onde o agora se dissolve lentamente
e o depois se torna apenas uma promessa distante.
Eu estou ali…
entre o que fui e o que ainda sonho ser,
sentada na beira do silêncio,
escutando o eco do infinito me chamar.
É uma espera que não cansa,
mas pesa.
Pesa como o céu antes da chuva,
como um coração que ama em segredo,
como palavras que nunca encontraram voz.
Eu espero…
não por alguém,
mas por algo que nem sei nomear,
um encontro com o destino
ou talvez comigo mesma.
As noites se alongam
como se quisessem me ensinar paciência,
e as estrelas piscam
como se soubessem de um segredo
que ainda não me pertence.
Quantas vezes fechei os olhos
tentando acelerar o tempo,
tentando pular capítulos,
tentando chegar logo
na parte em que tudo faz sentido?
Mas o infinito…
ah, o infinito não tem pressa.
Ele caminha devagar,
descalço sobre nossos medos,
tocando cada ferida,
sussurrando:
“Tudo chega… no tempo certo.”
E eu,
teimosa como o vento que insiste em voltar,
continuo aqui…
esperando.
Esperando o dia
em que o vazio se encha de significado,
em que o silêncio se transforme em música,
em que meu coração finalmente entenda
o porquê de tanta demora.
Talvez o infinito não seja um lugar…
mas um estado.
Um instante em que tudo se alinha,
em que a alma respira fundo
e reconhece:
“Cheguei.”
E se esse dia nunca vier?
Ainda assim, eu espero.
Porque há beleza na espera,
há poesia no intervalo,
há vida no quase.
Eu coleciono instantes incompletos,
abraços imaginados,
versos que nunca terminei,
e sonhos que insistem em florescer
mesmo no chão árido da incerteza.
O infinito mora em mim,
mesmo quando não percebo.
Ele pulsa em cada dúvida,
em cada saudade,
em cada esperança que se recusa a morrer.
E enquanto o mundo corre,
grita,
se perde em urgências vazias…
eu permaneço.
Quieta.
Profunda.
Inteira na minha própria espera.
Porque no fundo,
eu sei…
o infinito também me espera.
—Paulinha Cunha—
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