A Mulher que Perdeu a Alma
Ela caminha…
mas já não caminha inteira.
O corpo segue em frente,
enquanto a alma ficou presa
em algum lugar entre o adeus e o nunca mais.
Dizem que ela sorri,
mas ninguém pergunta
quantos pedaços ela teve que esconder
para conseguir sustentar esse sorriso.
Porque há amores que não vão embora,
apenas se transformam em ruínas dentro da gente,
e fazem do coração uma casa vazia
onde o eco grita o nome de alguém
que já não responde mais.
Ela perdeu a alma…
não de repente,
mas gota por gota,
beijo por beijo,
promessa por promessa quebrada.
E agora vive assim:
meio presença, meio ausência,
meio inverno, meio incêndio,
um mistério que ninguém entende
porque ninguém viu o dia exato
em que ela começou a se apagar.
A saudade mora nela como doença antiga,
daquelas que não matam o corpo,
mas deixam a vida doendo por dentro.
E há noites em que ela sente
que o travesseiro sabe mais da sua dor
do que qualquer pessoa que já a abraçou.
Ela ainda lembra…
do toque que parecia eterno,
da voz que prometia ficar,
do amor que parecia infinito
até se tornar apenas lembrança.
E o mais cruel não é a perda,
é o depois dela.
O depois em que tudo continua,
mas nada mais pertence.
Ela anda pela vida como quem procura algo invisível,
como quem espera uma volta impossível,
como quem ama alguém
que já virou passado dentro de si mesma.
E se alguém perguntar quem ela é agora…
talvez ninguém saiba responder.
Porque ela já não é a mesma mulher
que um dia acreditou no amor sem medo.
Ela é a mulher que perdeu a alma
e aprendeu a sobreviver mesmo assim.
E ainda assim…
ainda assim…
em algum canto profundo dela,
existe uma parte que insiste em sentir,
como se o amor, mesmo quebrado,
ainda fosse a única coisa
que a mantém respirando.
—Paulinha Cunha—
#AmorQueDói #SaudadeProfunda #PoesiaRomântica #AlmaFerida #AmorMalResolvido
P