A Pele da Saudade
A pele da saudade arde como fogo que não se vê,
marca cada curva do corpo com lembranças que não cederam,
sussurra teu nome em cada noite silenciosa,
faz do meu abraço vazio um lar que não habitas mais.
Sinto teus dedos dançando sobre minhas lembranças,
como vento que percorre a pele sem nunca tocar,
como chuva que insiste em molhar memórias antigas,
fazendo do coração uma ponte suspensa entre o ontem e o hoje.
A pele da saudade é território de fantasmas doces,
onde teu sorriso ainda ilumina cantos esquecidos,
onde teus beijos ecoam em ecos que a razão não explica,
onde cada suspiro é um retrato do que não volta.
Percorro ruas sem nome, buscando teu cheiro,
o perfume que se infiltrou na alma e se recusa a sair,
olho para o céu e tento achar teus olhos entre as nuvens,
mas só encontro fragmentos de uma lua que chora.
A saudade se veste de todas as cores do desejo,
verde das esperanças que não morrem,
vermelho do amor que sangra em silêncio,
azul da tristeza que afoga os dias sem teu toque.
E em noites de insônia, minha pele se arrepia,
lembrando do calor do teu abraço,
da cadência da tua voz no meu ouvido,
da dança silenciosa das tuas mãos sobre minha memória.
A pele da saudade é mapa e território,
caminho que me leva até onde não posso chegar,
ilha onde navegam meus pensamentos,
oceano onde naufrago nas lembranças do teu riso.
Mas ainda assim, mesmo rasgada pelo tempo,
a pele da saudade mantém-se viva,
como se cada cicatriz fosse prova de que amei,
como se cada marca fosse assinatura da eternidade.
E eu sigo, tocando esta pele invisível,
sentindo que, apesar da distância,
tua presença se infiltra em cada fibra minha,
me lembrando que o amor, mesmo na ausência,
é o que mais arde, mais cresce, mais permanece.
Porque a saudade não se mede, não se conta,
ela se veste, se sente, se respira,
ela é pele, ela é carne, ela é alma,
ela é o fio invisível que ainda me une a ti.
—Paulinha Cunha—
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