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A Pele que Lembra

A Pele que Lembra
A pele que lembra carrega em cada linha
o sussurro de beijos que o tempo não apagou,
o toque que incendiou a alma
e deixou marcas que nem o vento consegue levar.

Ela conhece o peso de mãos que se entrelaçaram
como raízes que não querem se soltar do chão,
e guarda memórias de abraços que eram abrigo
quando o mundo lá fora parecia desabar.

Há cicatrizes que falam mais que palavras,
e rugas que traduzem noites em claro,
amores que passaram como tempestades silenciosas
e ainda assim deixaram perfumes de eternidade.

A pele que lembra sente o frio de despedidas
antes mesmo de elas acontecerem,
e aquece com o calor de olhares que prometem
ficar, mesmo quando tudo insiste em partir.

Ela guarda nomes que foram murmúrios,
beijos que foram juramentos,
e carícias que se tornaram poesia
escrita no livro invisível da vida.

Cada toque é memória, cada arrepio é história,
cada sombra de saudade que passa
desenha no corpo um mapa secreto
de encontros e desencontros que moldaram o ser.

A pele que lembra não mente,
ela sussurra segredos que o coração tenta esconder,
fala de amores proibidos, de paixões impossíveis,
de promessas feitas no silêncio da madrugada.

E mesmo que o tempo tente apagar,
mesmo que as mãos se afastem,
mesmo que o amor se transforme em lembrança,
ela permanece fiel — guardiã de tudo que fomos,
de tudo que ainda somos,
de tudo que jamais poderemos esquecer.

Porque a pele que lembra é memória viva,
é abraço que não termina,
é amor que não cabe em palavras,
é poesia que se escreve no corpo
e que insiste em ser lida a cada suspiro.

Ela carrega a dor, mas também a beleza,
o riso e as lágrimas, o calor e o frio,
o ontem que nos ensinou a sentir,
o agora que nos faz tremer,
o amanhã que, mesmo incerto,
lhe promete novas histórias, novos toques, novas lembranças.

E assim ela vive — a pele que lembra —
como uma eterna testemunha de nós mesmos,
como se cada célula fosse um poema,
cada linha fosse verso,
cada toque fosse eternidade.

Porque a pele que lembra não esquece,
não se cansa, não se entrega ao esquecimento.
Ela é o arquivo do amor,
o livro aberto da paixão,
a prova silenciosa de que sentimos,
de que fomos,
e de que ainda somos.


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—Paulinha Cunha—