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A SAUDADE QUE MORA EM MIM NÃO APRENDEU A TE ESQUECER Tem noites em que o…

A SAUDADE QUE MORA EM MIM NÃO APRENDEU A TE ESQUECER

Tem noites em que o silêncio do meu quarto grita o seu nome tão alto
que eu preciso fechar os olhos para não desabar inteira.
Porque esquecer você nunca foi uma escolha…
foi uma guerra perdida dentro do meu peito.

Ainda lembro da forma como você sorria
como se pudesse iluminar todos os cantos escuros da minha alma.
E talvez tenha iluminado.
O problema é que, depois que você foi embora,
tudo dentro de mim virou apagão.

Existem amores que acabam.
E existem amores que continuam vivendo sozinhos
mesmo depois do adeus.

Você foi isso.
Uma eternidade mal resolvida.

Eu tentei seguir em frente.
Juro que tentei.
Sorri em fotografias,
fingi felicidade em conversas,
disse para o mundo que estava tudo bem…
mas ninguém viu as lágrimas escondidas atrás da maquiagem,
ninguém ouviu o barulho do meu coração quebrando toda madrugada.

Porque algumas pessoas vão embora do nosso lado…
mas nunca saem da nossa alma.

E você ainda mora aqui.
Nos detalhes mais pequenos.
Na música que toca do nada.
No perfume de alguém desconhecido na rua.
Nas mensagens antigas que eu releio quando a saudade aperta forte demais.
Nas cartas que escrevi para você
e nunca tive coragem de enviar.

Cartas cheias de amor atrasado.
Cheias de sentimentos que perderam o endereço.
Cheias de “fica” que morreram na garganta.

Às vezes me pergunto se você pensa em mim também.
Se em algum momento do dia
o seu coração desacelera ao ouvir meu nome.
Se você sente essa dor absurda
de amar alguém que já não pertence mais ao seu mundo.

Porque eu sinto.

Sinto quando acordo.
Sinto quando vou dormir.
Sinto até quando tento não sentir.

E o pior tipo de saudade
é aquela que não encontra abrigo.
Aquela que não pode ser abraçada.
Aquela que precisa sobreviver apenas na lembrança.

Você seguiu.
Talvez esteja feliz agora.
Talvez outra pessoa tenha aprendido os caminhos do seu sorriso.
Talvez outra pessoa segure sua mão nas noites frias
enquanto eu continuo aqui
abraçando memórias como quem abraça fantasmas.

E dói.
Meu Deus… como dói.

Dói perceber que fui intensa em um amor
que talvez você tenha vivido apenas pela metade.
Dói saber que eu decorava seus silêncios
enquanto você esquecia os meus detalhes.
Dói porque meu coração ainda espera por alguém
que já não está voltando.

Mas sabe o que mais machuca?

É que, mesmo depois de tudo,
mesmo depois das despedidas,
das ausências,
das noites chorando escondida,
das promessas quebradas…

eu ainda escolheria você.

Porque existem pessoas que atravessam nossa vida
como um vento passageiro.
E existem aquelas que arrancam pedaços da nossa alma
quando vão embora.

Você arrancou os meus.

Hoje eu entendo que o amor nem sempre salva.
Às vezes ele apenas marca.
Às vezes ele deixa cicatrizes tão profundas
que nenhum tempo consegue apagar.

E eu continuo aqui…
tentando reconstruir meu coração com as mãos tremendo,
tentando convencer meu peito
de que certas histórias acabam mesmo sem final feliz.

Mas no fundo…
bem no fundo…
uma parte de mim ainda espera ouvir sua voz dizendo:
“Volta. Eu nunca deixei de te amar.”

Enquanto isso não acontece,
eu sobrevivo escrevendo.
Transformando saudade em poesia.
Transformando ausência em versos.
Transformando você
na ferida mais bonita que já carreguei.

Porque algumas dores não passam.
Elas apenas aprendem a respirar dentro da gente.

E eu?
Eu continuo respirando você
mesmo quando o mundo inteiro manda esquecer.

—Paulinha Cunha—

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