🌙 A Voz Que Ainda Me Guia 🌙
Existem vozes que o tempo não consegue calar.
Elas não desaparecem com a distância.
Não se perdem nas despedidas.
Não morrem quando o amor termina.
Elas permanecem.
Moram nos corredores da memória,
escondidas entre fotografias antigas,
entre mensagens apagadas,
entre promessas que nunca encontraram um destino.
E a sua voz...
Ah, a sua voz ainda me guia.
Ela me encontra nos dias mais silenciosos,
quando a solidão senta ao meu lado
e me faz companhia sem pedir licença.
Ela surge no meio da madrugada,
quando o mundo inteiro parece dormir,
mas meu coração continua acordado,
procurando respostas para perguntas que nunca tiveram fim.
Porque existem amores que acabam.
Mas existem amores que permanecem inacabados.
E talvez sejam justamente esses os que mais doem.
Você foi a página que nunca consegui virar.
A história que não teve ponto final.
O adeus que ficou preso na garganta.
E desde então carrego dentro de mim
uma saudade tão grande
que às vezes parece maior que a própria vida.
Há dias em que consigo sorrir.
Há dias em que consigo seguir.
Há dias em que até acredito
que finalmente aprendi a viver sem você.
Mas então alguma coisa acontece.
Uma música toca.
Um perfume atravessa o ar.
Uma palavra qualquer surge numa conversa.
E de repente...
Tudo volta.
Seu sorriso.
Seu olhar.
Seu jeito de dizer meu nome.
Seu silêncio.
Até suas ausências voltam.
E é estranho sentir falta até daquilo que me feriu.
Porque o amor tem dessas contradições.
Ele nos quebra
e ainda assim desejamos suas lembranças.
Ele nos abandona
e ainda assim continuamos esperando.
Ele fecha portas
e mesmo assim permanecemos olhando para elas.
Quantas vezes tentei esquecer?
Perdi a conta.
Quantas vezes prometi a mim mesma que seria a última lágrima?
Inúmeras.
Mas a saudade sempre encontra um caminho de volta.
Ela atravessa os anos.
Atravessa as estações.
Atravessa as mudanças que fazemos por fora
e alcança aquilo que permanece igual por dentro.
E dentro de mim,
você ainda existe.
Não da forma que existia antes.
Mas existe.
Como uma cicatriz que não dói todos os dias,
mas nunca desaparece completamente.
Como uma estrela distante
que já não aquece,
mas continua iluminando parte do céu.
Como uma voz.
Aquela voz.
A voz que ainda me guia.
Não porque eu queira viver presa ao passado.
Mas porque algumas pessoas deixam marcas tão profundas
que se tornam parte da nossa própria história.
Você se tornou uma dessas marcas.
E talvez seja por isso que ainda converso com suas lembranças.
Que ainda procuro seu rosto em multidões.
Que ainda imagino como teria sido
se o destino tivesse escolhido outro caminho para nós.
Talvez tivéssemos dado certo.
Talvez não.
Talvez tivéssemos construÃdo uma vida inteira.
Talvez tivéssemos nos perdido do mesmo jeito.
Nunca saberei.
E talvez seja justamente essa falta de respostas
que continua alimentando minha saudade.
Porque o coração suporta a dor da verdade.
Mas sofre eternamente com a dúvida.
Hoje compreendo que amar alguém
nem sempre significa permanecer.
Nem sempre significa possuir.
Nem sempre significa ter.
Às vezes amar é apenas guardar.
Guardar um sentimento.
Guardar uma lembrança.
Guardar uma história.
Guardar uma voz.
E eu guardei a sua.
Nos lugares mais secretos da minha alma.
Onde o tempo não alcança.
Onde a distância não apaga.
Onde a ausência não vence.
Porque mesmo depois de tudo,
quando o mundo fica escuro
e minhas certezas desaparecem,
ainda existe uma voz dentro de mim.
Uma voz feita de lembranças.
De saudades.
De amores mal resolvidos.
De sonhos interrompidos.
Uma voz que me lembra quem fui.
Quem amei.
E quem me tornei depois da sua partida.
E talvez seja essa a maior prova de amor que existe:
continuar carregando alguém no coração
mesmo quando a vida já não permite carregá-lo pelas mãos.
Então sigo.
Com minhas cicatrizes.
Com minhas lembranças.
Com meus silêncios.
Com minhas saudades.
Mas sigo.
Porque a vida continua chamando meu nome.
E enquanto caminho,
entre lágrimas e recomeços,
ainda escuto ao longe
a voz de um amor que nunca terminou completamente.
A voz que o tempo não levou.
A voz que a distância não apagou.
A voz que a saudade transformou em eternidade.
A voz que ainda me guia.
— Paulinha Cunha —
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