Ainda Sinto Você
Tem saudades que passam.
Mas existem aquelas que escolhem morar dentro da gente como se fossem eternas.
E você…
você nunca foi embora de verdade.
Ainda sinto você nos detalhes mais pequenos da vida.
No café esfriando sobre a mesa enquanto meus pensamentos viajam até o teu nome.
Na música antiga que toca do nada e desmonta meu coração em silêncio.
No vento da madrugada que parece trazer tua voz baixinho, como se o universo se recusasse a aceitar a nossa despedida.
Eu tentei seguir.
Juro que tentei.
Sorri para pessoas novas, conversei sobre assuntos aleatórios, ocupei meus dias, fiz promessas para mim mesma dizendo que iria te esquecer.
Mas como esquecer alguém que deixou marcas até na alma?
Como arrancar do peito um amor que virou parte da própria existência?
Você foi aquele tipo raro de amor que chega sem pedir licença…
e mesmo indo embora, continua habitando cada canto.
Às vezes eu finjo que superei.
Finjo tão bem que até eu quase acredito.
Mas então chega a noite.
E a noite sempre sabe a verdade.
Porque é no escuro que minhas lembranças aprendem a gritar.
Eu lembro do teu jeito de me olhar como se eu fosse a única pessoa do mundo.
Do teu abraço apertado que fazia meus medos desaparecerem por alguns segundos.
Da forma como tua mão encontrava a minha sem esforço, como se nossas almas já se conhecessem antes dessa vida.
E talvez conhecessem mesmo.
Porque não é normal sentir tanta falta assim.
Não é normal carregar alguém dentro do peito mesmo depois do adeus.
Não é normal ouvir teu nome e sentir o coração perder completamente o equilíbrio.
Mas eu sinto.
Ainda sinto você em mim como uma ferida bonita que nunca cicatrizou.
Como um amor mal resolvido que o tempo tentou apagar, mas só aprofundou.
E dói.
Meu Deus… como dói.
Dói quando vejo casais felizes na rua e imagino como teríamos sido.
Dói quando alguém pergunta sobre você e eu preciso fingir indiferença.
Dói quando percebo que continuei te amando até nos dias em que mais tentei te odiar.
Porque amar alguém que foi embora é uma espécie de guerra silenciosa.
A gente luta contra as lembranças, contra o desejo de mandar mensagem, contra a vontade absurda de voltar no tempo só para impedir o fim.
Mas o amor não entende orgulho.
O amor não entende distância.
O amor só sente.
E eu sinto tudo.
Sinto tua ausência me atravessando nos domingos vazios.
Sinto saudade das conversas longas que pareciam curar meus caos internos.
Sinto falta até das nossas brigas bobas, porque até elas significavam que ainda existia “nós”.
Hoje só existe saudade.
Uma saudade cruel.
Daquelas que apertam o peito de madrugada e roubam o sono sem piedade.
Daquelas que fazem a pessoa olhar fotos antigas escondida, reler mensagens apagadas e visitar memórias como quem visita ruínas de um lugar que já foi lar.
Você foi meu lar.
E talvez seja isso que mais machuca.
Perder alguém que fazia o mundo parecer menos pesado.
Tem dias que eu queria te esquecer completamente.
Apagar tua voz da memória.
Apagar teu cheiro das minhas lembranças.
Apagar teu nome das minhas emoções.
Mas existem amores que não aceitam ser apagados.
Eles permanecem.
Mesmo quebrados.
Mesmo distantes.
Mesmo impossíveis.
E eu acho que você sempre será o amor que ficou preso entre o “quase” e o “para sempre”.
Talvez a pior parte dos amores mal resolvidos seja justamente essa:
eles nunca terminam de verdade.
Eles continuam vivos dentro da gente.
Em cada música triste.
Em cada madrugada silenciosa.
Em cada lágrima escondida atrás de um sorriso cansado.
Você partiu…
mas levou embora uma parte de mim que nunca voltou.
E desde então eu caminho incompleta.
Às vezes imagino se você também sente minha falta.
Se em algum momento do dia meu nome invade teus pensamentos sem aviso.
Se alguma música te faz lembrar de mim.
Se você também olha para o teto à noite tentando entender por que alguns amores não conseguem morrer.
Porque eu ainda não consegui.
Ainda te amo em silêncio.
Ainda te procuro sem perceber em outras pessoas.
Ainda sinto teu toque mesmo quando estou sozinha.
Ainda espero, no fundo mais escondido do coração, que o destino faça alguma loucura e coloque você de volta na minha vida.
Mesmo sabendo que talvez nunca aconteça.
E talvez seja exatamente isso que destrói minha alma devagar:
a esperança.
Essa esperança pequena, teimosa e dolorosa de que você volte dizendo que também sofreu, que também sentiu saudade, que também nunca conseguiu me esquecer.
Mas enquanto isso não acontece…
eu continuo aqui.
Guardando nossos momentos como quem guarda cartas antigas dentro de uma gaveta proibida.
Tentando sobreviver às lembranças.
Tentando aprender a conviver com essa ausência que tem teu nome.
Porque algumas pessoas vão embora…
mas deixam o coração da gente preso no passado.
E você deixou o meu.
Ainda sinto você em cada parte de mim.
No silêncio.
Na saudade.
Na dor.
No amor que ficou.
E talvez eu sinta para sempre.
—Paulinha Cunha—
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