Ainda Te Procuro
Ainda te procuronos cantos mais silenciosos do meu peito,
onde o tempo parou sem pedir licença
e a saudade construiu morada
sem jamais pagar aluguel.
Ainda te procuro
nas ruas que nunca mais percorremos juntos,
nos bancos vazios das praças
que guardam ecos de risos
que hoje já não me pertencem.
Procuro teu olhar
em cada rosto que cruza o meu caminho,
como quem tenta encontrar um pedaço de céu
numa noite sem estrelas.
E mesmo sabendo
que você já não mora mais em mim,
me pego arrumando espaço
para lembranças que insistem em voltar
como ondas teimosas
beijando a mesma areia.
Ainda te procuro
nos detalhes mais simples:
no cheiro da chuva caindo devagar,
no café que esfria enquanto penso em você,
na música que toca sem aviso
e desmonta o pouco que restou de mim.
Te procuro no vento
que bagunça meus cabelos
como você costumava fazer,
como se o mundo inteiro conspirasse
para não me deixar te esquecer.
E eu, que já tentei tantas vezes te deixar ir,
me vejo aqui,
de novo,
te buscando em tudo
e em todos
como se você fosse
um pedaço perdido da minha própria alma.
Ainda te procuro
mesmo sabendo
que talvez você nunca mais volte,
mesmo sabendo
que o amor, às vezes,
não é feito de encontros
mas de ausências que permanecem.
E no fundo,
bem no fundo do que restou de mim,
eu sei…
não é você que eu procuro —
sou eu
na versão que existia
quando você ainda estava aqui.
#PoesiaQueSente
#AindaTeProcuro
#SaudadeEmVersos
#AmorQueFicou
#VersosQueDoem
—Paulinha Cunha—