Além das Cinzas
Eu renasci
não no silêncio…
mas no estrondo de tudo que quebrou em mim.
Houve um tempo
em que eu fui incêndio descontrolado,
labaredas de medo,
fagulhas de insegurança,
um coração ardendo por quem nunca soube aquecer.
E quando tudo virou cinza…
quando o mundo desabou dentro do meu peito,
quando minhas lágrimas já não tinham mais nome…
foi ali que eu me encontrei.
Porque ninguém fala
do que existe além das cinzas.
Do que nasce depois do fim.
Do que floresce depois do caos.
Mas eu vi.
Eu senti.
Eu sobrevivi.
Entre os destroços da minha própria história,
recolhi pedaços de mim com mãos trêmulas,
costurei minhas dores com fios de coragem
e transformei feridas em constelações.
Sim…
eu ainda carrego marcas.
Mas elas não me prendem mais.
Elas brilham.
Cada cicatriz é um verso
que a vida escreveu na minha pele,
cada queda foi um capítulo
que me ensinou a levantar mais forte.
Eu deixei para trás
tudo aquilo que me diminuía,
tudo aquilo que me fazia duvidar
da imensidão que existe em mim.
E quando o vento tentou apagar o que restava,
eu soprei de volta…
com mais força,
com mais alma,
com mais verdade.
Porque eu descobri
que não sou feita para ser cinza.
Sou feita de recomeços.
De tempestades que não me afogam,
mas me ensinam a nadar.
Sou feita de despedidas
que abriram portas invisíveis,
de silêncios
que gritaram meu próprio nome.
E hoje…
eu caminho sobre aquilo que um dia me destruiu.
Eu danço sobre os restos do medo,
eu sorrio para o que um dia me fez chorar,
eu abraço a mulher
que nasceu das minhas ruínas.
Além das cinzas…
existe uma versão minha
que ninguém conseguiu apagar.
Mais intensa.
Mais viva.
Mais minha.
E se um dia o mundo tentar me reduzir novamente…
eu já sei o caminho de volta.
Porque quem aprende a renascer,
nunca mais aceita morrer por dentro.
—Paulinha Cunha—
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