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ALMA À DERIVA

ALMA À DERIVA

Sinto-me um barco perdido em mares de silêncio,
minha alma à deriva, sem rumo, sem porto, sem abrigo,
balançando entre ondas de lembranças e sonhos desfeitos,
onde o tempo é uma corrente invisível que me leva,
para lugares que desconheço, mas que parecem familiares.

Cada pensamento é um vento que me empurra,
às vezes suave, às vezes cruel,
fazendo-me lembrar de vozes que ecoam,
de risos que se perderam, de promessas que se quebraram.

Sou náufraga de mim mesma,
buscando em cada estrela um sinal de esperança,
mas até o céu parece distante,
e a lua, um reflexo frio da minha solidão.

Navego entre memórias e suspiros,
entre o que fui e o que deixei de ser,
entre amores que não souberam ficar
e palavras que se perderam no vento da distância.

Minha alma grita em silêncio,
uma melodia que ninguém ouve,
um clamor de quem deseja se reencontrar,
mas que se afoga em mares de dúvidas e medos.

E ainda assim, continuo a flutuar,
porque a vida insiste em me empurrar para frente,
entre ondas de incerteza e correntezas de dor,
mas também de pequenos milagres:
um olhar que acende uma chama,
um sorriso que quebra o gelo da desesperança,
uma lembrança que aquece mesmo na fria solidão.

Quem sou eu senão essa alma à deriva?
Quem sou eu senão a soma de todas as perdas,
das partidas, das noites em claro,
dos amores que chegaram tarde demais,
ou que partiram cedo demais?

Ainda assim, flutuo.
Ainda assim, respiro.
Ainda assim, busco.
Pois até no mais profundo desamparo,
há uma centelha de luz,
uma promessa de renascimento,
uma razão para acreditar que, mesmo à deriva,
minha alma encontrará um porto seguro,
onde posso finalmente descansar,
onde posso finalmente me reconhecer.

E até lá, sigo navegando,
com minhas feridas abertas,
com minhas esperanças frágeis,
mas com a certeza de que cada onda que me leva,
também me aproxima de mim mesma.

—Paulinha Cunha—

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