Alma em Constante Renascimento
Há dias em que eu me perco de mim mesma,
como se o espelho esquecesse meu nome,
e tudo que fui virasse apenas poeira
dançando no vento do que não voltou.
Eu renasço sem pedir permissão ao tempo,
com cicatrizes que florescem em silêncio,
com memórias que ainda queimam devagar
no peito onde o amor não encontrou descanso.
Porque há amores que não vão embora,
apenas se escondem na saudade,
como chuva presa nas nuvens da lembrança,
esperando um céu que nunca mais se abre igual.
E eu sinto…
sinto demais.
Sinto o toque que já não existe,
o abraço que virou ausência,
a voz que ainda ecoa em mim
como se o mundo tivesse esquecido de calar.
É um amor mal resolvido,
daqueles que não acabam, apenas mudam de forma,
viram silêncio, viram falta, viram dor bonita
que insiste em morar onde já deveria ter partido.
Mas eu continuo.
Mesmo quebrada, eu floresço.
Mesmo em pedaços, eu me reconstruo.
Porque a alma, quando aprende a sofrer,
também aprende a renascer.
E cada renascimento meu
tem o gosto amargo da saudade,
aquele tipo de saudade que não passa,
só aprende a conviver com a gente.
Às vezes me pergunto
se você ainda sente o que eu sinto,
ou se me apagou como se apaga uma vela
quando já não há mais desejo de luz.
Mas eu… eu não sei esquecer assim.
Eu sou feita de lembranças que insistem,
de amores que não tiveram ponto final,
apenas reticências eternas.
E talvez seja isso que me mantém viva:
essa dor que não mata, mas transforma,
esse amor que não fica, mas também não vai,
essa saudade que mora até na alma
e aprende a respirar dentro de mim.
Se um dia você me encontrar de novo,
não estranhe:
eu serei outra,
mas ainda carregando todas as versões que você deixou.
Porque eu sou assim…
uma alma em constante renascimento,
entre o que fui contigo
e o que me tornei sem você.
—Paulinha Cunha—
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