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ALMA EM FUGA

ALMA EM FUGA

Sinto-me uma alma em fuga,

perdida entre o silêncio da noite e o sussurro das lembranças.

Cada passo ecoa na eternidade do meu próprio peito,

e cada suspiro carrega a saudade que não posso conter.

Há um vento frio que me empurra

pelas ruas vazias da memória,

onde sombras dançam com meus pensamentos,

e o passado me chama em vozes que parecem minhas,

mas não são.

Corro entre lembranças de amores que se foram,

de abraços que escaparam pelos dedos,

de palavras que ficaram presas na garganta,

como uma canção que não encontra melodia.

E mesmo assim, insisto em viver,

porque mesmo em fuga, há beleza na dor,

há poesia no medo, há luz nas feridas abertas.

Minha alma, inquieta, aprende a se reinventar

em cada tropeço, em cada queda,

em cada noite em que a lua chora comigo.

Sinto a eternidade em cada lágrima,

o infinito em cada lembrança que insiste em me visitar.

Sou feito de fragmentos de sonhos

que nunca foram meus por completo,

mas que, mesmo assim, me pertencem.

E enquanto corro, busco o abraço do vento,

o calor que não se encontra em mãos humanas,

o consolo que só o silêncio pode oferecer.

Minha alma não se contenta com respostas fáceis,

ela quer o impossível,

quer se perder para se encontrar.

Se você me vê, não tente me prender,

não tente me explicar,

porque sou um rio que não para,

uma chama que não se apaga,

uma alma em fuga, sempre em busca

do que talvez nunca chegue,

mas que, no caminho, me transforma

e me faz inteira, ainda que despedaçada.

E se minha fuga tocar você,

se meu silêncio sussurrar no seu coração,

se minhas feridas refletirem as suas,

entenda: há força na vulnerabilidade,

há vida na saudade,

há poesia na alma que não se cala.

—Paulinha Cunha—

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