Alma em Labirinto
Perdida entre os ecos do que fui
e os sussurros do que ainda posso ser,
minha alma caminha descalça
por corredores que não têm fim.
Há portas que se abrem sozinhas,
outras que jamais ouso tocar,
e em cada curva desse labirinto
existe um pedaço de mim que ficou para trás.
Carrego nos olhos a neblina das escolhas,
nos lábios, palavras que nunca disse,
e no peito…
um universo inteiro gritando em silêncio.
Quantas vezes me procurei
em reflexos quebrados de ilusões?
Quantas noites abracei o vazio
achando que era você?
Ah, esse labirinto…
não foi construído por acaso,
cada parede tem o nome de um medo,
cada esquina guarda um arrependimento.
E mesmo assim, eu sigo.
Sigo tropeçando nas lembranças,
esbarrando em saudades que ainda sangram,
tentando entender por que amar
é também se perder de si.
Há caminhos que me levam de volta
ao mesmo lugar de dor,
como se o destino insistisse
em me ensinar aquilo que me recuso a ver.
Mas também há luz…
Pequena, tímida, quase invisível,
mas pulsando como um coração teimoso
que se recusa a desistir de sentir.
E é por essa luz
que eu continuo.
Mesmo cansada, mesmo ferida,
mesmo com a alma em pedaços
espalhados por esse infinito de incertezas.
Porque no fundo, eu sei…
o labirinto não é prisão,
é transformação.
Cada dor é uma chave,
cada lágrima, um mapa,
cada queda, um passo
para me encontrar novamente.
E quando finalmente eu sair daqui,
não serei mais a mesma.
Serei mais forte,
mais inteira,
mais minha.
Porque quem sobrevive ao próprio caos
aprende a florescer
mesmo no escuro.
E então…
o labirinto deixa de ser um lugar de perda
e se torna o caminho
onde a alma aprende a se reconhecer.
—Paulinha Cunha—
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