Alma que Arde
Há uma chama dentro de mim,
uma labareda que não conhece fim,
que dança no silêncio da noite,
que queima nos cantos da saudade,
que arde em cada lembrança,
em cada olhar que se perdeu no tempo.
Minha alma que arde não pede licença,
não se curva ao frio da indiferença,
ela grita em cores invisíveis,
ela sangra em versos que ninguém lê,
ela ama em intensidade proibida,
ela sofre em silêncio, mas se recusa a morrer.
Sinto meu coração como fogo líquido,
corro pelas veias labaredas de desejos,
um ardor que não se apaga com lágrimas,
um calor que derrete as defesas da alma.
Eu caminho sobre brasas da própria existência,
e mesmo assim, me permito sorrir.
Há noites em que me perco em mim mesma,
meu espírito vagueia entre memórias,
tocando os ecos de risos antigos,
sentindo a sombra de abraços que já partiram.
E ainda assim, essa chama insiste,
essa alma insiste em arder,
em viver, em se perder, em se encontrar.
Não busco a paz dos que se contentam,
nem a calma dos que se apagam,
eu quero o fogo que consome e ilumina,
o fogo que transforma dor em poesia,
que transforma ausência em desejo,
que transforma silêncio em eternidade.
Minha alma que arde é guerra e é festa,
é lágrima e é riso, é tempestade e é brisa,
é tudo que não se explica, mas se sente,
é um grito no escuro, uma dança no vazio,
é um universo inteiro cabendo em um peito.
Se você me tocar, sinta a chama,
não tente apagá-la, não tente domá-la,
ela é livre, ela é selvagem, ela é minha.
E se você me amar, ame o fogo junto,
ame a dor, o êxtase, a intensidade,
ame a alma que arde e que nunca se rende.
E quando minhas cinzas repousarem ao vento,
elas carregarão em cada partícula a história
de um coração que ousou queimar,
de uma vida que ousou sentir,
de uma alma que nunca se calou,
de uma paixão que jamais se apagou.
—Paulinha Cunha—
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