Alma que Não Se Entrega
Há dentro de mim um fogo que não se apaga,
uma chama que dança nas sombras da minha própria essência.
Meus pensamentos se rebelam contra o mundo,
minha alma se recusa a se curvar às correntes invisíveis,
às expectativas que pesam sobre os ombros alheios.
Sou vento que atravessa muros,
sou mar que não se deixa prender por margens,
sou silêncio que grita em meio à multidão,
sou o eco de uma liberdade que ninguém pode roubar.
Tentaram me dobrar, me moldar,
me dizer que existe um lugar certo para cada suspiro meu,
mas minha alma se recusa a ser compassada,
a dançar conforme a música que não compôs.
Entre lágrimas e sorrisos, aprendi a arte de resistir,
a cultivar o próprio chão, mesmo em terra árida.
Não busco aplausos nem aplausos de aprovação,
pois minha verdade não se mede pela aceitação alheia,
e minha força reside justamente na minha entrega a mim mesma.
E se algum dia me chamarem de insolente,
de sonhadora impossível, de louca por insistir,
que saibam que a loucura de minha liberdade
é mais valiosa que a sanidade contida
de quem se contenta com sombras.
Alma que não se entrega conhece os abismos do próprio ser,
mergulha fundo em seus medos e emerge inteira,
mais forte, mais viva, mais intensa do que jamais imaginaram.
Porque há beleza no que não se dobra,
no que não se cala, no que não se submete.
E mesmo que o mundo insista em tentar apagar minha luz,
minha alma brilha sozinha,
um farol impossível de apagar,
uma tempestade que não pede licença para existir.
Então, não me busque onde não estou,
não tente me prender com correntes de medo ou obrigação.
Sou livre, inteira, infinita —
uma alma que se ergue, que se entrega a si mesma
e jamais se rende ao silêncio imposto.
E no fim, talvez seja esse o meu maior triunfo:
não me entregar nunca,
não me dobrar jamais,
ser eternamente dona de mim,
mesmo quando tudo ao redor tenta me consumir.
—Paulinha Cunha—
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