Alma Queimada de Amor
Entre labirintos de memórias
minha alma vaga, queimada pelo fogo
dos sentimentos que não se apagam,
daquelas promessas sussurradas à meia-noite,
quando a lua espia pelas cortinas e sorri
com a malícia de quem sabe o segredo do meu coração.
Cada lembrança tua arde em mim
como brasas invisíveis,
como se cada palavra tua fosse chama
e cada silêncio, cinza fria que se espalha.
Eu tento fugir, mas meus pés estão presos
na areia do teu sorriso,
na tempestade dos teus olhos,
onde afundo e me perco a cada olhar.
Amar-te foi um incêndio lento,
um devorar paciente da minha própria paz,
um dilacerar doce e cruel
que me ensinou que a felicidade
às vezes se veste de dor
e a paixão, de destruição.
Oh, quantas noites eu chorei em silêncio,
quando o vento sussurrava teu nome
pelas ruas desertas da minha memória.
Quantos sonhos se transformaram em fumaça,
levados pela saudade que queimava meu peito
como se o tempo tivesse dentes
e minha esperança, sangue fresco.
Ainda assim, não consigo esquecer
o perfume do teu amor,
mesmo quando ele me arrasta para o abismo.
Ainda sinto a tua mão na minha,
a tua voz nos meus ouvidos,
o teu riso preso em meus ossos,
marcando cada pedaço de mim
com uma dor que é também desejo,
uma chama que me mantém viva,
mesmo quando me queima por dentro.
E se amar-te foi sofrer,
eu escolho sofrer mil vezes mais,
porque cada dor tua é lembrança de mim,
cada cicatriz, história de nossa chama,
cada suspiro, prova de que existimos
mesmo quando o mundo esquece.
Queimada, eu sigo, alma em brasas,
nas noites que não têm fim,
nos dias que não têm perdão.
E ainda que eu seja cinza e sombra,
a lembrança do teu amor arde
como seimar de fogo eterno,
hipnotizante, indomável,
um amor que nem o tempo ousa apagar.
—Paulinha Cunha—
#AmorQueimado #PaixãoIntensa #AlmaEmChamas #PoemaHipnotizante #AmorEterno