Alma Renovada
Em meio ao silêncio da noite,
onde os ventos sussurram segredos esquecidos,
minha alma caminhava perdida,
pesada, envolta em memórias de tempestades,
em ecos de lágrimas que a chuva não lavou.
Cada ferida era uma história contida,
cada suspiro, um grito em direção ao nada,
e eu, entre sombras e lembranças,
buscava uma luz que não sabia existir.
Mas então, numa manhã que parecia igual a todas,
o sol encontrou a brecha da minha escuridão,
e algo dentro de mim despertou:
uma fagulha, pequena e tímida, mas viva.
Comecei a ouvir o sussurro do meu próprio coração,
um convite para dançar com meus medos,
para abraçar minhas imperfeições,
e compreender que cada lágrima derramada
não era fraqueza, mas fertilidade
para o jardim secreto da minha alma.
Renovei meus passos na poeira do passado,
pisando sobre os fragmentos de antigas dores,
transformando-as em degraus de crescimento,
e cada batida acelerada era um hino
à coragem de recomeçar.
Senti o vento acariciar minhas feridas,
como se o mundo sussurrasse:
“Respire, viva, ame sem medo.”
E assim, lentamente, percebi que renascer
não é apagar cicatrizes,
mas transformá-las em história,
em poesia viva, em força que não se vê, mas se sente.
Minha alma, antes cansada, agora dançava
entre cores que jamais pensei conhecer,
entre aromas de liberdade e esperança,
e cada passo era um verso,
cada respiração, uma promessa de luz.
Não há mais correntes que me prendam,
nem lembranças que me amedrontem,
porque aprendi que a verdadeira renovação
não vem do exterior, mas do âmago do ser,
e que a cada amanhecer, posso escolher
reconstruir-me, amar-me, elevar-me.
Hoje, caminho entre sonhos e horizontes,
com a certeza de que minha alma é eterna,
imortal na capacidade de se refazer,
de florescer, de inspirar, de iluminar.
E mesmo que as tempestades voltem,
sei que minha essência é luz,
sou chama, sou força, sou vida.
Alma renovada, coração aberto,
mente tranquila, espírito livre,
e no compasso desta liberdade,
sinto o universo sussurrar meu nome,
como quem celebra o milagre do renascimento.
—Paulinha Cunha—
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