Amor em Labirintos
Tem gente que entra na nossa vida como quem acende uma vela no meio da tempestade…
e vai embora deixando a fumaça da saudade sufocando cada canto da alma.
Você foi assim.
Chegou devagar,
com palavras doces,
com promessas silenciosas,
com aquele jeito de quem parecia casa…
e eu, cansada de tantos desertos emocionais,
acreditei que finalmente tinha encontrado abrigo.
Mas o amor, às vezes, é um labirinto cruel.
A gente entra de mãos dadas…
e sai sozinho, perdido, tentando entender onde foi que o coração começou a sangrar.
Até hoje eu me pergunto em qual esquina dos nossos sentimentos nós nos perdemos.
Em qual silêncio você desistiu de mim.
Em qual madrugada decidiu partir enquanto eu ainda decorava os detalhes do teu sorriso.
Porque quem ama de verdade não esquece rápido.
Quem ama de verdade carrega o outro até nos lugares onde ninguém vê.
No travesseiro molhado.
Na música que machuca.
Nas mensagens apagadas e reescritas mil vezes.
Nas noites em que o peito aperta tanto que parece faltar ar.
E eu carreguei você.
Carreguei no café frio das manhãs solitárias.
Nas ruas onde tudo me lembrava teus passos.
Nas roupas que ainda guardam teu perfume imaginário.
Nas memórias que insistem em sobreviver mesmo depois do fim.
Você virou ausência…
mas uma ausência tão presente
que ainda mora em mim.
O pior tipo de saudade
é aquela que não encontra resposta.
Aquela que fica parada no tempo,
esperando alguém voltar por uma porta que nunca mais se abre.
E dói.
Dói de um jeito silencioso.
Dói no orgulho, na pele, na rotina.
Dói quando alguém pergunta se eu já superei.
Dói quando eu finjo que sim.
Dói quando percebo que algumas pessoas vão embora fisicamente…
mas emocionalmente continuam sentadas dentro da gente.
Você foi meu amor mal resolvido.
Meu capítulo inacabado.
Minha ferida que aprendeu a sorrir para esconder o próprio corte.
Quantas vezes tentei te esquecer?
Perdi as contas.
Tentei apagar fotos.
Tentei evitar músicas.
Tentei me apaixonar de novo.
Tentei ocupar o vazio com conversas rasas, com distrações temporárias, com falsas superações.
Mas o coração não funciona como interruptor.
Não existe botão para desligar sentimentos profundos.
E eu te amei profundamente.
Amei até quando você já não merecia.
Amei até quando o silêncio gritava despedida.
Amei até quando fui ficando sozinha dentro da própria relação.
Talvez esse tenha sido meu erro:
amar demais alguém que não sabia permanecer.
Às vezes penso que existem pessoas destinadas apenas a atravessar nossas vidas para ensinar a dor.
Elas chegam como poesia…
e partem como tempestade.
Você deixou em mim um labirinto inteiro.
Cada lembrança tua virou corredor sem saída.
Cada memória virou porta trancada.
Cada saudade virou eco.
E eu continuo aqui…
tentando encontrar uma saída dentro de mim mesma.
Tem noites em que ainda converso com tua ausência.
Pergunto se você sente minha falta.
Se em algum momento do dia meu nome ainda atravessa teus pensamentos.
Se você também lembra daquela nossa versão que parecia eterna.
Porque eu lembro.
Lembro de tudo.
Dos olhares demorados.
Das conversas bobas que viravam madrugada.
Dos planos que nunca aconteceram.
Das promessas que morreram antes do futuro chegar.
E sabe o que mais machuca?
É perceber que o amor continua vivo mesmo depois que a esperança morreu.
Isso destrói lentamente uma pessoa.
A saudade vira rotina.
A dor vira companhia.
E o coração aprende a sobreviver machucado.
Existem despedidas que não terminam nunca.
Existem amores que continuam doendo mesmo depois do último adeus.
Existem pessoas que deixam marcas tão profundas…
que o tempo passa, mas a alma continua presa naquele instante em que tudo acabou.
Você foi meu quase.
Meu caos favorito.
Meu erro mais bonito.
Meu labirinto sem saída.
E talvez eu nunca consiga te esquecer completamente.
Talvez algumas histórias nasçam justamente para permanecer incompletas.
Para ensinar que nem todo amor veio para ficar…
mas alguns vêm apenas para marcar eternamente.
Hoje eu sorrio nas fotos.
Converso normalmente.
Finjo estar bem.
Mas ninguém imagina quantas partes minhas ainda te procuram no escuro.
Porque certas saudades não passam.
Elas apenas aprendem a ficar em silêncio.
E no fundo, bem no fundo…
acho que uma parte de mim ainda espera você voltar,
mesmo sabendo que existem portas que, quando se fecham, levam embora pedaços inteiros da nossa alma.
—Paulinha Cunha—
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