Amor que Arde Sozinho
Há um fogo em mim que não aprende a se apagar,uma chama teimosa que insiste em te chamar
mesmo quando o silêncio já virou morada,
mesmo quando a tua ausência grita mais alto que qualquer palavra.
É um amor que não teve despedida,
que ficou preso entre o quase e o nunca,
entre o “fica” que eu não disse
e o “vou” que você não explicou.
E dói…
dói de um jeito que não sangra por fora,
mas dilacera por dentro,
como se cada lembrança fosse uma lâmina fina
rasgando devagar a paz que eu finjo ter.
Eu ainda te encontro nos detalhes mais pequenos:
no vento que encosta no meu rosto como você fazia,
no cheiro da chuva que me lembra teus abraços,
no vazio do lado da cama que nunca mais foi preenchido.
E é estranho…
porque o mundo continua girando como se nada tivesse acontecido,
enquanto aqui dentro tudo parou
no instante exato em que você deixou de ser meu.
Esse amor arde sozinho,
sem resposta, sem retorno, sem descanso…
arde nas madrugadas em que o sono foge
e a saudade faz morada no peito apertado.
Eu tentei te esquecer — juro que tentei —
mas esquecer você
é como tentar apagar o próprio nome da memória,
como negar a própria alma.
Porque você foi mais do que amor,
foi destino interrompido,
foi história inacabada,
foi o “e se” que nunca vai embora.
E às vezes eu me pergunto
se em algum canto do teu mundo
existe um pedaço de mim
que também te dói.
Mas a verdade…
é que esse amor aprendeu a viver sozinho,
a queimar calado,
a sobreviver sem esperança
e ainda assim continuar existindo.
E eu continuo aqui,
carregando esse incêndio no peito,
esse amor mal resolvido
que insiste em não virar cinza.
Porque amar você
foi a coisa mais bonita
e mais dolorosa
que já me aconteceu.
E talvez sempre será.
—Paulinha Cunha—
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