Amor que Não se Desfaz
O amor que não se desfaz
não se dobra ao tempo,
não se apaga com a distância,
não se rende ao silêncio da saudade.
Ele nasce na lembrança
e cresce em cada gesto,
em cada sorriso que insiste
em tocar o fundo da alma.
Mesmo quando a noite cai
com seu manto de solidão,
ele acende estrelas nos olhos
que só quem ama sabe ver.
O amor que não se desfaz
não conhece despedidas,
não se curva diante da dor,
não se cala diante da ausência.
Ele é chama que aquece
mesmo nos ventos mais frios,
é vento que acaricia
mesmo quando os braços se cansam.
E quando as lágrimas descem,
não são sinais de fim,
mas rios que lavam o coração
e o preparam para renascer.
O amor que não se desfaz
é poesia que insiste em existir
mesmo nas páginas amareladas do tempo,
mesmo nas memórias que a vida tenta apagar.
É segredo compartilhado com o universo,
é promessa que o silêncio confirma,
é eternidade sentida
no toque suave da lembrança.
Ele vive nos gestos pequenos,
na paciência do olhar,
na força que sustenta
o que ninguém mais vê.
E mesmo que o mundo diga que acabou,
mesmo que as vozes insistam em negar,
ele permanece — silencioso, intenso, infinito —
como a maré que retorna à areia,
como a lua que insiste em nascer
mesmo depois da noite mais escura.
Porque o amor que não se desfaz
não se mede, não se explica,
não se rende ao acaso.
Ele simplesmente é.
E assim, seguimos vivendo,
seguindo o compasso desse amor,
que não se desfaz,
que não se entrega,
que não morre,
mesmo quando tudo parece perdido.
Ele é a luz que insiste,
é a esperança que renasce,
é o coração que bate
em silêncio,
em segredo,
para quem sabe ouvir.
O amor que não se desfaz
é eterno,
mesmo que nossos passos se separem,
mesmo que a vida nos leve a outros caminhos,
ele permanece, firme, profundo, silencioso…
esperando apenas ser lembrado
para brilhar novamente.
—Paulinha Cunha—
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