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As flores que desabrocharam na sua partida. Você veio e, como se nada pudesse…

As flores que desabrocharam na sua partida.

Você veio e, como se nada pudesse te parar,
tomou para si um pedaço de mim.
Algo tão repentino me fez questionar:
por que eu?
Por que assim, sem aviso?
Mesmo assim, quanto mais o tempo passava,
mais eu queria que esse sentimento continuasse.

Te conheci mais, bem mais.
Soube dos seus sonhos,
das suas dores,
e até quando você me ligava de madrugada
pra falar sobre seus problemas,
eu os tomava para mim
para tentar tirar a névoa do seu coração,
assim como você tirou do meu.

Eu era uma pessoa que não chamaria sua atenção.
Eu não era o seu tipo,
ou assim eu pensava,
mas mesmo assim você dizia que eu era perfeito,
que eu era a pessoa que você queria —
e isso enchia meu coração e ensolarava meus dias.
Você colocou uma franqueza em suas palavras
sempre que dizia "eu te amo",
como se realmente amasse.

Então aquele dia chegou,
chegou sem nem eu mesmo perceber.
Disse que estava ocupada,
que as responsabilidades estavam sendo maiores,
falou até que não tinha tempo para mim.
E eu?
Eu fiquei lá, como um cachorrinho que espera o dono dar atenção.
Percebi que o seu olhar para mim mudou:
você não tinha mais aquele olhar dilatado de quem ama.
Você nem mesmo era tão ocupada assim —
você só estava ocupada para mim.

Quanto mais o tempo passava, mais eu percebia:
percebia que você não me amava mais,
não da mesma forma que antes amou.
Suas palavras se tornaram vazias,
e seus carinhos se tornaram dolorosos.
Sabendo disso, eu fiz a única coisa que se podia fazer:
eu te deixei ir.
Deixei, mas deixei você também levar um pedaço de mim,
para que assim eu continuasse com você.
Mas o que dói é que talvez o novo eu e a antiga você teriam dado certo.

-"Enzo h."-