Há beijos que não se explicam,
não cabem em palavras,
não obedecem lógica alguma—
apenas acontecem,
como um suspiro que escapa
quando o coração transborda.
O teu beijo…
ah, o teu beijo fala.
Fala baixo, quase em segredo,
como quem tem medo
de acordar o mundo ao redor.
Mas dentro de mim,
ele grita, ecoa,
faz tempestade em mar calmo
e acende fogueiras
onde antes só havia silêncio.
O teu beijo conta histórias
que tua boca nunca ousou dizer,
revela verdades escondidas
entre olhares desviados
e toques interrompidos.
Ele diz “fica”
quando teus lábios tremem,
diz “não vai”
mesmo quando teus passos recuam,
diz “eu sinto”
mesmo quando teu orgulho insiste em negar.
É um idioma só nosso,
feito de pele,
de arrepio,
de vontade.
E quando ele me encontra,
o tempo se curva,
o mundo desacelera,
e tudo o que existe
se resume a esse instante
em que tua boca encosta na minha
e, sem dizer nada,
diz tudo.
Teu beijo é abrigo
em meio ao caos,
é promessa silenciosa,
é chama que não se apaga.
E eu me perco nele…
sem medo de não voltar,
sem vontade de me encontrar.
Porque no teu beijo
eu me reconheço,
me desfaço,
me reinvento.
E se um dia o mundo calar,
se as palavras perderem o sentido,
se tudo virar distância e saudade—
que reste ao menos a lembrança
do teu beijo que falava
tudo aquilo que nunca tivemos coragem de dizer.
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#VersosQueEncantam
#AmorEmPalavras
—Paulinha Cunha—