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Carmesim

Carmesim

Eu me mantive cativo por muito tempo, dentro do desastre sem fim da minha alma.

Eu me afogo na melancolia eterna, agonizante, extrema. Algo que eu mesmo projetei contra mim. Mas não consigo sair.

Busco desesperadamente qualquer sensação.

Qualquer coisa além do vazio.

Vazio.

Nada.

Eu analiso cada detalhe, cobiçando uma única gota de prazer que eu poderia sentir.

Eu olho para o vermelho carmesim espalhado para todo o nada, nas minhas mãos, ao meu redor, nas minhas lágrimas, em mim.

Nojento.

Todos esses olhares de julgamento em mim... julgando todo massacre que minha alma se tornou.

Mais vermelho.

Toda essa jornada que eu percorri em busca de um clímax.

Uma epifania que pudesse fazer-me sentir.

Qual é a resposta dessa questão?

Quando eu vou achar a resposta?

Talvez, seja a luz branca radiante dos céus.

Ou talvez eu seja só a pústula.

Talvez eu só tenha que me entregar a infalível luxuria.

Então, finalmente poderei... Sentir!

Sentir ao extremo tudo.

Tudo que eu sempre quis.

Finalmente, finalmente!

Eu olho ao redor e vejo novamente o tom carmesim cobrindo meus braços e meu corpo.

Os olhares.

Eles não pararam de me julgar.

Mas isso não importa, não mais.

Eu finalmente posso sentir!

Eu abraço a cor carmesim que mancha minha vida.

Quem se importa se é difícil de tirar?

Pelo menos agora eu posso sentir!

Quem se importa se eu me afogar nesse... Líquido nojento.

Agora ele é meu melhor amigo!

E eu finalmente posso sentir!