🌙 Cartas que o Tempo Esqueceu de Entregar 🌙
Há um silêncio que não é ausência de som…
é presença demais de lembranças.
E nele, eu te encontro — mesmo quando não deveria.
Porque existem amores que não terminam,
apenas mudam de lugar dentro da gente.
Ficam morando entre o que foi dito
e o que ficou engasgado na alma.
Eu lembro de você em detalhes que o tempo não conseguiu apagar:
no cheiro de uma rua vazia ao entardecer,
na música que toca quando ninguém mais está ouvindo,
no instante exato em que a saudade decide me visitar sem pedir licença.
E dói.
Não uma dor barulhenta…
mas aquela silenciosa, que aprende a respirar dentro do peito
como se sempre tivesse vivido ali.
Você foi a pergunta sem resposta
que meu coração insiste em repetir,
mesmo sabendo que o universo já mudou de assunto.
E eu sigo aqui,
colecionando versões suas dentro de mim
como se cada lembrança fosse uma carta nunca enviada.
Talvez o amor seja isso:
um arquivo de coisas não resolvidas,
um eco que não aprende a desaparecer,
um “quase” que insiste em ser eterno.
E quando a noite chega,
eu entendo que não é você que me falta…
é o que eu me tornei depois de você.
Porque algumas saudades não querem passar.
Elas querem ficar.
Querem morar.
Querem doer.
E eu deixo.
Porque amar também é isso:
aceitar que algumas histórias continuam
mesmo quando tudo já acabou.
— Paulinha Cunha —
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