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conversas cobertas de álcool

conversas cobertas de álcool
Meu pai entra no meu quarto, bêbado. Eu também, bêbada, tento encarar ele nos olhos sem parecer patética. Ele começa seus discursos de sempre, falando tudo o que não gosta em mim: fala do meu cabelo colorido, da quantidade de furos e brincos que tenho na orelha, das minhas roupas extravagantes, da bagunça na minha penteadeira e dos livros jogados pela estante. Depois, me encara e pergunta se eu vou ser sempre desse jeito.
Não converso muito com meu pai, mas talvez, se conversássemos sem esse álcool todo nos nossos sistemas, nos entenderíamos. O problema é que estamos sempre bêbados demais para termos conversas sérias.