Coração em Ruínas
Há um silêncio que mora em mim
como uma casa esquecida no fim da rua,
janelas quebradas, cortinas rasgadas,
lembranças espalhadas pelo chão
como pedaços de um amor que não soube ficar.
Meu coração...
ah, meu coração virou ruína.
Não desabou de uma vez —
foi caindo aos poucos,
tijolo por tijolo,
promessa por promessa.
Ainda ecoa teu nome
pelos corredores vazios de mim,
como um vento insistente
que se recusa a partir.
E cada lembrança tua
é um passo que dói,
é um chão que range,
é um passado que não quer morrer.
Eu tentei reconstruir, juro,
tentei juntar os pedaços,
colocar ordem no caos que você deixou.
Mas como se remenda
o que foi quebrado por dentro?
Como se levanta um lar
quando o amor virou escombro?
Há noites em que me perco
dentro dessas ruínas que carrego,
tateando no escuro
por algo que ainda pareça inteiro.
Mas só encontro saudade,
só encontro ausência,
só encontro você…
em tudo o que restou.
E mesmo assim,
no meio desse abandono,
existe algo que resiste —
um fio frágil de esperança
teimando em nascer entre as rachaduras.
Talvez um dia
flores cresçam aqui,
entre os destroços do que fomos.
Talvez o tempo,
com suas mãos silenciosas,
reconstrua o que a dor desfez.
Mas hoje…
hoje eu sou ruína.
Sou memória quebrada,
sou amor inacabado,
sou saudade que insiste em ficar.
E mesmo em pedaços,
mesmo perdido,
mesmo doendo —
meu coração ainda bate…
por tudo aquilo que um dia acreditou.
—Paulinha Cunha—
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