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Coragem de Ser Eu Hoje eu me olho no espelho da vida e já não me escondo nas…

Coragem de Ser Eu

Hoje eu me olho no espelho da vida

e já não me escondo nas versões que me ensinaram a ser.

Eu me encontro no meio do caos,

no meio do silêncio que antes eu temia,

e percebo: sobrevivi até aqui sendo muitas…

mas nenhuma delas era totalmente eu.

Há uma coragem que não grita,

não veste armadura,

não precisa de plateia.

Ela apenas existe — firme, crua, viva —

quando eu escolho me reconhecer

mesmo quando o mundo tenta me diminuir.

Ser eu não foi um gesto bonito no começo.

Foi quebra.

Foi perda.

Foi despedida de versões confortáveis

que me mantinham pequena o suficiente

para caber nas expectativas dos outros.

Mas eu cresci.

E crescer dói de um jeito estranho:

não é ferida aberta,

é expansão.

É como se o peito aprendesse a respirar de novo

depois de anos preso em espaços apertados.

Eu já não peço licença para existir.

Não suavizo minha verdade para agradar.

Não me encolho para caber em lugares que não me comportam.

Porque eu descobri algo que ninguém pode tirar:

ser eu é o meu único caminho de volta para casa.

E mesmo quando o mundo me pede silêncio,

eu escolho voz.

Mesmo quando me pedem submissão,

eu escolho presença.

Mesmo quando me pedem versão,

eu escolho essência.

Não sou mais o reflexo do que esperam de mim.

Sou o encontro com tudo aquilo que eu fui,

com tudo aquilo que eu perdi,

e com tudo aquilo que ainda estou me tornando.

E se há algo que me sustenta

nos dias em que tudo parece incerto,

é essa certeza suave e feroz ao mesmo tempo:

eu não preciso ser aceita por todos

quando finalmente aprendi a me aceitar.

Porque existir como eu sou

é o meu maior ato de coragem.

E ninguém pode fazer isso por mim.

—Paulinha Cunha—

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