Coragem em Versos
Coragem não é ausência de medo,
mas o sopro que nos empurra quando tudo parece escuro,
quando a vida pesa nos ombros como nuvem carregada
e cada passo parece afundar na lama do impossível.
Coragem é levantar-se mesmo com o coração em frangalhos,
é atravessar noites longas sem estrelas,
é falar quando o silêncio grita mais alto que a própria voz,
é escolher lutar quando todos ao redor desistiram.
É no olhar que brilha antes do amanhecer,
na mão que treme, mas ainda segura firme,
no sorriso que surge entre lágrimas silenciosas,
na promessa que fazemos a nós mesmos: não vou ceder.
Coragem é sentir o vento da incerteza,
andar por caminhos que ninguém ousou trilhar,
ouvir o sussurro da própria alma e responder:
“Eu existo, e ainda assim, avançarei.”
É enfrentar a dor que se esconde em lembranças,
é acolher o passado sem permitir que ele nos defina,
é escrever nos escombros daquilo que foi quebrado
a força para recomeçar, ainda que o chão estremeça.
Coragem é pedir perdão, mesmo quando dói,
é perdoar-se por tropeços,
é abraçar o risco com olhos firmes,
é dançar na tempestade sem medo de se molhar.
É o grito silencioso no peito,
é a decisão de não fugir do próprio destino,
é a chama que queima no escuro,
o farol que guia quando tudo parece perdido.
Coragem é acreditar no amanhã
quando o ontem insiste em sussurrar: “Não dá.”
É sentir medo e ainda assim dizer sim,
é persistir, é insistir, é resistir.
E no fim, a coragem é poesia,
é o verso que nasce do vazio,
é a voz que se ergue quando tudo se cala,
é a luz que insiste em brilhar
mesmo entre as sombras mais densas.
Não há fronteiras para quem carrega coragem,
não há limites para quem a sente pulsar no peito,
pois coragem é a alma em movimento,
o coração que insiste em bater mesmo ferido,
o espírito que nunca desiste de ser inteiro.
—Paulinha Cunha—
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