Cores da Primavera
A primavera chega como quem sussurra em tinta,
pincelando o mundo com delicadeza viva,
onde cada flor é um segredo aberto
e cada cor dança sem pedir permissão.
O verde respira — é pulso, é começo,
é a vida decifrando seus próprios mistérios
nas folhas que tremem ao toque do vento,
como mãos que aprendem de novo a sentir.
Há um sabor no ar — doce, quase invisível —
como se dançar fosse também um gosto,
um fruto maduro colhido no instante exato
em que o corpo esquece o peso e vira poesia.
As flores não apenas existem, elas falam:
em tons de rosa, de amarelo, de silêncio,
elas narram histórias que não cabem em palavras,
mas cabem no olhar de quem se permite ver.
E assim, a paisagem se torna pintura —
não imóvel, mas viva, pulsante, em movimento —
como um quadro que se recria a cada segundo,
onde o sentimento é a tinta
e o tempo… apenas a moldura.
J