Dance of the knights
Eu vi o salão tornar-se campo de honra,
onde dois reinos marcavam o mesmo chão;
não havia música, mas comando e aço,
e o ritmo caía como imposição.
Cavaleiros erguiam seus nomes em ferro,
cada passo firmado como juramento;
não dançavam por glória vazia,
mas por domínio, por força, por vencimento.
Eu ouvi o choque contido nos gestos,
mesmo antes de lâmina alguma tocar;
era a luta vestida de forma e silêncio,
era o ódio aprendido a se controlar.
Avançavam em giros precisos e frios,
como golpes medidos no tempo exato;
cada erro custava mais que o orgulho,
cada falha selava o próprio fato.
E então um deles cedeu no compasso,
não por medo, mas por exaustão;
seu joelho tocou o chão pesado,
como queda aceita pela própria razão.
O outro não celebrou, não hesitou,
apenas manteve a forma e a posição;
pois ali não havia triunfo verdadeiro,
só o peso contínuo da dominação.
E eu permaneci, preso àquele ciclo,
onde vencer não alivia o viver;
pois no fim, sob o som que nunca perdoa,
todo homem se curva… antes de ceder.
02/04/2026 - Vinicius M
V