Das Cinzas ao Amor Próprio
Eu caminhei entre sombras,
pisando em cacos de um passado que me queimava,
onde o silêncio falava mais alto que qualquer abraço,
e meus olhos só conheciam a cor cinza da dor.
Entre lágrimas e noites sem luar,
aprendi que a solidão não é castigo,
mas uma professora disfarçada,
que me ensinou a escutar a minha própria voz
quando o mundo inteiro parecia virar as costas.
Eu me perdi em labirintos de medo,
onde cada passo parecia um tropeço,
onde cada palavra minha era apagada
pelo eco do que outros disseram que eu era.
Mas no fundo, eu sentia uma fagulha,
uma centelha tímida que sussurrava:
“Você ainda pode renascer.”
Então eu renasci.
Do meu próprio fogo,
das minhas cinzas quentes e doloridas,
ergui-me inteira,
mesmo com cicatrizes que contavam histórias que ninguém queria ouvir.
Descobri que o amor próprio não é silêncio de ego,
mas grito de liberdade,
é dizer sim a si mesma quando tudo e todos dizem não,
é se abraçar na madrugada fria,
é dançar sozinha na chuva sem pedir permissão,
é sorrir para o espelho
mesmo quando o reflexo insiste em lembrar feridas antigas.
Aprendi a perdoar meus erros,
a acolher minhas inseguranças,
a respeitar meu tempo,
meu ritmo,
minha essência.
E hoje, minhas cinzas não são ruínas,
mas sementes de um jardim que floresce em mim.
Cada lágrima derramada regou meu renascimento,
cada noite escura me ensinou a enxergar estrelas,
e cada silêncio me mostrou que eu posso ser inteira
sem precisar ser metade de alguém.
O amor próprio não é vaidade,
é resistência.
É saber que eu sou suficiente,
mesmo quando a vida insiste em me provar o contrário.
É transformar dor em aprendizado,
medo em coragem,
queda em voo.
E assim, do fogo, eu broto,
uma nova versão de mim mesma,
mais forte, mais leve, mais viva.
Porque o que passou já não me queima mais,
o que restou de cinza é combustível
para meu brilho, minha liberdade, minha alma.
Eu aprendi a dançar comigo mesma,
a conversar com minhas sombras,
a me amar quando ninguém mais o faz.
Das cinzas eu renasci,
e o meu amor próprio é agora meu lar,
minha armadura, meu farol.
E se algum dia você se perder entre os escombros da própria dor,
lembre-se:
até das cinzas mais frias
pode brotar a chama mais intensa.
—Paulinha Cunha—
#DasCinzasAoAmorPróprio #Autocura #RenascimentoInterior #ForçaFeminina #AmorPróprio
P