Decisão.
O breve caminhar na prancha para tubarões.
O breve — e ao mesmo tempo longo — caminhar.
Dois passos que se tornam vinte.
O caminhar no puro sofrer.
O que mais vale:
o risco de pular da prancha
ou permanecer no sofrer
de passos que se dobram
em pura lentidão?
Mais vale o risco de viver
ou o mais puro sofrer de sobreviver?
Há os passos que se dobram e se desdobram
no penar de pensar em caminhar.
Há os tubarões —
que são, em metáfora, a decisão final.
Ah… como doem ambas.
O caminhar,
o saber de estar na prancha,
o ir em direção à decisão.
Oh, sabes nadar?
Não em águas calmas,
mas em águas turbulentas.
Vais mesmo pular da prancha?
Sabes que tipo de águas estão abaixo?
Ou se tubarões te esperam?
Mas já sangras,
já sofres ao caminhar.
O navio, para ti, não é seguro.
A prancha já é uma decisão tomada.
Não há como voltar
sem o risco de cair.
E o cair?
E se, em vez de cair,
for escolha pular?
E se pular trouxer menos dor
do que andar na prancha?
E se pular for menos sofrido
do que permanecer no navio?
Há a decisão.
Há o cair.
Há o pular.
O que há?
Se te foi dado apenas o sofrer,
por que ainda o temes?
H