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Demônios são escolhas.

Demônios são escolhas.
Encontrei um demônio sentado no parapeito de um precipício, balançando as pernas no vazio como quem avalia seu próximo passo

Tinha olhos de brasa preguiçosa
E um sorriso que sabia demais

— Relaxa — disse ele acenando — Não vim te buscar... Ainda não, rapaz!

Sentei ao seu lado, cauteloso, perguntando por que o mundo parece sempre prestes a ruir

Ele riu, com gosto profundo

— Porque é mais divertido assim.

Questionei se ele entendia por que o homem erra tanto, ele estalou os dedos no ar

— Vocês se metem em cada encanto... Eu só assisto, nem preciso soprar.

— Mas vocês tentam. — rebati — Plantam dúvida, sussurram tentações.

Ele ergueu as sobrancelhas

— Meu caro... Eu só destaco opções.

— E se quisesse ajudar? — perguntei

Ele bufou, quase ofendido

— Da última vez que tentei isso, me chamaram de orgulhoso.

— Então por que falar comigo? — indaguei, sentindo certo receio

O demônio deu de ombros

— Vocês humanos são puro enredo feio, mas rendem uma ótima conversa quando resolvem ser honestos.

Por fim, levantou-se devagar, com asas machucadas que não batiam, só tremiam

— Se quer um conselho, humano... Não culpe o mal quando suas próprias inseguranças te guiam.

E desapareceu na escuridão quieta, deixando apenas um eco, frio e calmo:

Que, às vezes, o demônio mais perigoso é só o reflexo das nossas verdadeiras necessidades.
Demônios são escolhas.