Desejo que Não Passa
Há um nome que a memória insiste em sussurrar no escuro das horas,
como se o silêncio soubesse de cor tudo aquilo que eu nunca disse.
E quando a noite cai, não é sono que me visita…
é você, em forma de ausência, ocupando todos os espaços dentro de mim.
Eu jurei que o tempo levaria esse sentimento embora,
que a distância apagaria o que um dia queimou tão forte.
Mas há desejos que não obedecem ao relógio,
nem se curvam ao esquecimento — apenas permanecem.
Você virou essa lembrança que não se despede,
esse eco que insiste em voltar mesmo quando eu fecho todas as portas da alma.
E eu, tão inteiro por fora,
me desfaço por dentro toda vez que lembro do toque que nunca mais aconteceu.
O amor, quando não termina, não morre…
ele fica.
Fica nas palavras que não foram ditas,
nos encontros que não se repetiram,
nos olhares que prometeram eternidade sem saber que eram frágeis.
E eu carrego esse desejo como quem carrega uma ferida bonita,
daquelas que doem, mas também fazem lembrar que um dia houve vida ali.
Saudade não é ausência,
é presença sem corpo.
E você, mesmo longe, ainda me atravessa inteiro.
Tem dias em que eu finjo seguir,
mas há noites em que eu volto a você sem perceber,
como se meu coração tivesse memória própria
e se recusasse a te esquecer.
Porque existem amores que não se resolvem…
apenas continuam.
E esse desejo que não passa
não me pede mais nada —
só me consome em silêncio.
E talvez seja isso o amor:
não o que vai embora,
mas o que permanece mesmo quando tudo já terminou.
—Paulinha Cunha—
#DesejoQueNãoPassa #AmorESaudade #PoesiaProfunda #CoraçãoFerido #AmorEterno
P