Dias que Não Voltam
Há dias que passam como o vento
sem pedir licença,
sem deixar aviso,
sem sequer olhar para trás.
Dias que foram casa,
foram riso,
foram abraço apertado
e hoje são apenas memória
guardada no fundo do peito.
Há dias que a gente viveu sem saber
que seriam únicos…
sem imaginar que aquele instante simples
seria um dos mais importantes da vida.
Dias de sol na alma,
de gargalhadas soltas,
de olhares que diziam tudo
sem precisar de palavra alguma.
E hoje…
esses dias moram em fotografias amareladas,
em mensagens antigas,
em lembranças que chegam de repente
e apertam o coração sem pedir permissão.
Há dias que não voltam,
e talvez nem devam voltar,
porque foram perfeitos
do jeito que aconteceram.
Mas ainda assim…
a saudade insiste em bater,
como quem quer reviver
o que o tempo levou embora.
Saudade daquele café compartilhado,
da conversa sem pressa,
do abraço que parecia eterno
e que hoje só existe na lembrança.
Ah, se pudéssemos guardar os dias
em pequenos frascos de eternidade…
abrir quando a saudade apertasse
e sentir tudo outra vez.
Mas o tempo é um rio que não volta,
ele segue,
ele leva,
ele transforma.
E nós ficamos aqui,
aprendendo a amar o que foi,
a aceitar o que passou,
e a encontrar beleza
até mesmo na ausência.
Porque dias que não voltam
também ensinam…
também moldam…
também deixam marcas profundas
que se transformam em poesia.
E no fim,
talvez o maior aprendizado seja esse:
valorizar o agora,
antes que ele também vire lembrança.
Antes que ele também se torne
mais um daqueles dias
que não voltam…
Mas que nunca deixam
de existir dentro da gente.
✨
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—Paulinha Cunha—