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DOMINGOS TAMBÉM SANGRAM Tem gente que acha que domingo foi feito para…

DOMINGOS TAMBÉM SANGRAM

Tem gente que acha que domingo foi feito para descanso.
Mas existem pessoas que chegam no domingo carregando guerras dentro do peito.
Carregando lembranças.
Carregando nomes que ainda estremecem a alma quando aparecem por acaso em alguma música antiga.
Carregando saudades tão profundas…
que até o silêncio parece cansado de doer.

E eu confesso…
existem domingos em que sinto sua falta como quem sente falta do ar.

Porque algumas pessoas vão embora…
mas deixam a presença espalhada em tudo.
Na xícara favorita.
Na madrugada mal dormida.
Na roupa esquecida dentro do armário.
Na música que toca do nada.
Na cidade inteira parecendo pequena demais para fugir das lembranças.

Você partiu.
Mas o meu coração nunca aprendeu a fechar a porta depois da sua saída.

E talvez seja esse o problema dos amores mal resolvidos:
eles nunca terminam de verdade.
Eles continuam vivos dentro da gente feito incêndio escondido debaixo das cinzas.
Basta uma memória…
e tudo volta a pegar fogo.

Às vezes eu me pergunto se você também pensa em mim nos domingos silenciosos.
Se em algum momento da tarde seu peito aperta sem motivo.
Se alguma música me devolve para você.
Se ainda existe alguma parte sua que não conseguiu me esquecer completamente.

Porque eu tentei seguir.
Deus sabe o quanto tentei.

Tentei me distrair.
Tentei conhecer novas pessoas.
Tentei fingir que meu coração não procurava você em cada rosto desconhecido.
Mas ninguém tinha o seu jeito de me olhar como se entendesse até minhas dores que nunca tiveram coragem de virar palavras.

E talvez seja por isso que ainda dói tanto.

Você não foi apenas alguém que eu amei.
Você virou parte daquilo que eu sou.
Virou cicatriz.
Virou saudade permanente.
Virou uma ausência tão presente…
que às vezes parece sentar ao meu lado quando a noite cai.

Existem noites em que converso com você em pensamento.
Como se sua alma ainda me escutasse de algum lugar distante.
Como se o universo tivesse deixado nossas histórias ligadas por fios invisíveis que nem o tempo conseguiu cortar.

E dói.

Dói porque o amor continua aqui…
mesmo sem ter onde morar.

Dói porque meu coração ainda espera mensagens que nunca chegam.
Ainda cria cenários impossíveis.
Ainda imagina reencontros que talvez nunca aconteçam.

E o pior tipo de saudade não é daquela pessoa que morreu.
É daquela que continua viva…
mas escolheu viver longe da gente.

Isso destrói aos poucos.

Porque você vê o mundo seguindo normalmente enquanto dentro do peito tudo permanece parado no mesmo adeus.

E ninguém percebe.
Ninguém imagina quantas vezes você sorriu querendo chorar.
Quantas vezes fingiu estar bem enquanto seu coração implorava por alguém que já não voltava mais.

Alguns amores deixam marcas leves.
Mas outros atravessam a alma como tempestades.

Você foi tempestade.

Daquelas que chegam bagunçando tudo.
Daquelas que fazem a gente acreditar em eternidade.
Daquelas que transformam abraço em lar.
E depois vão embora levando metade da nossa paz.

Desde então…
eu me tornei essa coleção de silêncios.
Essa pessoa que escreve sentimentos que não consegue esquecer.
Essa alma que continua amando mesmo sabendo que talvez nunca seja amada da mesma forma outra vez.

Porque existem amores que acabam…
e existem amores que apenas aprendem a sobreviver dentro da dor.

O nosso nunca morreu.
Só ficou perdido no tempo.

Talvez em outra vida a gente tivesse dado certo.
Talvez em outro universo você tivesse ficado.
Talvez em outro destino nossas mãos não tivessem se soltado tão cedo.

Mas nesta vida…
restou apenas a saudade.

Essa saudade cruel.
Essa saudade que não dorme.
Essa saudade que entra devagar no peito e vai quebrando tudo em silêncio.

E mesmo assim…
mesmo depois de toda dor…
mesmo depois de todas as despedidas…
mesmo depois de tantas noites chorando escondido…

eu ainda teria coragem de escolher você outra vez.

Porque algumas almas se reconhecem antes mesmo do primeiro toque.
E quando isso acontece…
o amor nunca vai embora completamente.

Ele apenas aprende a doer em silêncio.

—Paulinha Cunha—

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