K

E Se o Amor Fosse o Que Fica

E Se o Amor Fosse o Que Fica
Não entendo
como algo tão bonito
pode doer como se rasgasse por dentro.

Como posso amar alguém
com a alma inteira
e ainda assim não tê-lo nos braços?

Como posso ter provado
o gosto do riso compartilhado,
o silêncio confortável,
o toque que falava mais que palavras,
os olhos dele —
aqueles olhos que me diziam “fica”
mesmo quando o mundo dizia “vai” —
e saber que era recíproco…
mas não suficiente para existir?

Como se supera o eterno
“e se?”

E se tivéssemos tentado mais um pouco?
E se o tempo tivesse sido mais gentil?
E se o orgulho tivesse sido menor que o amor?
E se…

Esse “e se”
é uma casa onde a saudade mora
e eu ainda deixo a porta aberta.

Às vezes me pergunto
se sou tola
por sentir tanto,
por amar assim —
sem freio,
sem cálculo,
sem garantia.

Será que é só comigo?
Será que ele também sente
esse aperto que chega sem aviso
quando escuta uma música,
quando olha o céu,
quando a noite fica longa demais?

Será que a dor que me atravessa
também atravessa ele?

Ou sou eu
a única que revive
cada segundo
como se fosse o último?

Eu queria apenas
deitar ao seu lado
e não precisar de respostas.
Só olhar você.
Memorizar o contorno do seu rosto
como quem decora um poema
antes que o livro seja fechado.

Porque mesmo sabendo
que talvez aquele fosse o último dia,
eu sinto
que não aproveitei o suficiente.

Não amei o suficiente.
Não abracei o suficiente.
Não fiquei o suficiente.

E o amor…
quando é verdadeiro,
nunca parece suficiente.

Mas talvez amar
não seja sobre possuir.
Talvez seja sobre ter sentido.

E eu senti.
Meu Deus, como eu senti.

Se amar é carregar alguém
mesmo quando ele não está,
então ele ainda vive em mim
em cada pensamento que insiste,
em cada saudade que queima,
em cada lágrima que prova
que foi real.

Não sei se ele me ama
como eu amo.

Mas sei que o que eu sinto
é grande demais
para ser mentira.

E se o amor não ficou…
ele ainda assim existiu.

E às vezes,
o que existiu de verdade
já é eterno.


🤎