Ecos de Nós Dois
Há um sussurro que não se cala,
um murmúrio que atravessa as paredes do tempo,
e nele, encontramos a lembrança de nós,
como se cada palavra que não dissemos
ecoasse em um espaço infinito,
fazendo reverberar o que fomos e ainda somos.
Te vejo em sombras suaves,
nos cantos esquecidos do meu coração,
nos gestos que ficaram suspensos no ar,
nas noites em que a lua nos ouvia em silêncio.
É nesse silêncio que sinto tua presença,
como se cada estrela cintilasse teu nome
em segredo, apenas para mim.
Ecos de nós dois:
quando tua risada ainda atravessava
os corredores da minha alma,
quando teus olhos eram mapas
que eu queria decifrar com o coração aberto.
Tudo ainda vibra nesse ar que respiramos,
como se o mundo inteiro fosse cúmplice
do que fomos e do que nos tornamos.
Sinto teu toque em lembranças líquidas,
escorrendo pelo tempo,
entre lágrimas e sorrisos que ninguém mais vê.
E cada memória tua é um pulsar,
uma batida que insiste em me dizer:
"não fomos só um instante, fomos eternidade disfarçada."
Nosso amor deixou rastros de luz e sombra,
como se cada passo que demos juntos
tivesse escrito versos invisíveis
na superfície do universo.
E eu caminho por esses ecos,
ouvindo tua voz entre os ventos,
sentindo teu perfume entre as nuvens,
tocando teu rosto em cada pensamento
que insiste em não me deixar só.
E se alguém me perguntar por nós,
direi que fomos poema e incêndio,
que fomos silêncio e tempestade,
que fomos ecos que se multiplicam
quando o mundo insiste em nos separar.
Porque o que somos não cabe em palavras simples,
não cabe em dias ou em anos,
não cabe em nada que não seja o infinito.
E assim seguimos,
eu e tu,
em ecos,
em sussurros,
em memórias que nunca se desfazem.
Porque mesmo quando o mundo muda,
mesmo quando os ventos levam tudo,
o que é nosso ecoa,
sempre, eternamente,
nos recantos mais secretos da vida,
onde só nós dois podemos entrar.
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—Paulinha Cunha—
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Ecos de Nós Dois