Ecos do Meu Silêncio 🌙
Há noites em que eu me escuto por dentro
como se cada lembrança tivesse voz própria,
como se o passado ainda soubesse meu nome
e o dissesse baixo…
bem baixo…
só para me fazer tremer.
Ecos do meu silêncio
não são vazios.
São cheios de você.
Cheios do que fomos,
do que quase fomos,
e do que nunca ousou nascer
mas mesmo assim… doeu.
Eu aprendi a sorrir sem fazer barulho,
a esconder tempestades atrás dos olhos,
a fingir que o peito não reconhece
quando sua ausência passa por mim
como vento que não pede licença.
Mas há uma saudade
que não cabe no tempo.
Ela não passa.
Ela insiste.
Ela mora.
E mora em mim.
Você foi o tipo de amor
que não termina… apenas se dispersa.
Como fumaça tentando lembrar o próprio fogo.
Como um nome que a alma ainda pronuncia
mesmo quando a boca já desistiu.
Eu te perdi sem saber exatamente quando.
Talvez no instante em que você foi embora,
ou no instante em que eu fiquei
sozinha dentro de nós dois.
E agora, tudo o que me resta
são esses ecos.
Esses fragmentos de voz
que ainda chamam pelo seu nome
mesmo quando eu digo que não.
O silêncio entre nós virou linguagem.
E eu aprendi a traduzi-lo em dor.
Porque tem saudade que não é ausência…
é presença que não acontece mais.
E tem amor que não acaba…
só aprende a doer quieto.
Às vezes, eu fecho os olhos
e quase te invento de novo.
Quase te trago de volta
no intervalo entre uma respiração e outra.
Mas você escapa.
Sempre escapa.
E eu fico aqui,
morando nesse intervalo infinito
entre o que senti
e o que não aconteceu.
Se um dia você ouvir algo chamando seu nome no vento,
não estranhe.
Pode ser só meu silêncio
tentando te alcançar mais uma vez.
Ou talvez seja só o que sobrou de mim
te amando sem resposta.
Ecos…
apenas ecos.
Do meu silêncio.
Do nosso quase.
Do que ainda dói.
—Paulinha Cunha—
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