Ecos do Passado
Há um silêncio que insiste em falar,
um sussurro antigo que atravessa o tempo,
que toca a alma com mãos de lembrança,
que acorda sonhos que pensávamos esquecidos,
e me faz caminhar pelos corredores do ontem,
onde cada sombra é um fragmento de nós.
Ecos do passado se enredam nos meus pensamentos,
como vinhas que se prendem à parede da memória,
desenhando rostos que não vejo há tanto tempo,
voz que ainda ecoa nas câmaras do coração,
risos que se confundem com lágrimas antigas,
e amores que morrem, mas não se despedem.
Cada passo que dou encontra pegadas invisíveis,
marcas de quem fui, de quem amei, de quem perdi,
e me pergunto se o tempo realmente cura,
ou apenas esconde o que insiste em viver dentro,
num canto da mente que ninguém ousa visitar.
Vejo o reflexo do passado em cada espelho,
como se os dias que se foram ainda respirassem comigo,
como se o vento que passa pela janela
trouxesse lembranças que dançam no ar,
tocando as cordas do meu peito,
despertando dores e encantos que pensei enterrados.
E me deixo levar, mergulho fundo nesse rio,
onde a corrente leva risos e desilusões,
onde a saudade é tanto um abraço quanto um corte,
onde o amor que não voltou ainda se faz presente,
sussurrando segredos que só a alma entende,
e me transformando em quem sou hoje,
um mosaico de memórias, de esperanças e de fantasmas.
E assim, danço com os ecos do passado,
não para esquecer, mas para compreender,
para abraçar minhas feridas e minhas vitórias,
para sentir o que ainda pulsa em mim,
porque cada lembrança, mesmo dolorosa,
é um farol que ilumina o caminho do meu agora.
E quando a noite cai, silenciosa e pesada,
ouço cada eco, cada voz, cada suspiro,
e percebo que o passado não me prende,
ele apenas sussurra para que eu viva,
para que eu ame mais, sonhe mais, sinta mais,
para que eu seja inteira, mesmo entre sombras,
mesmo entre lembranças que não se vão.
Porque os ecos do passado são a música da alma,
a poesia que nos molda, nos lembra, nos guia,
e mesmo que o tempo tente apagar,
eles permanecem, eternos, hipnotizantes,
um convite a dançar entre ontem e hoje,
um lembrete de que cada passo que damos
é a soma de todos os passos que fomos.
—Paulinha Cunha—
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