Ele Foi Meu Primeiro Amor… e Também a Minha Primeira Saudade Sem Volta
Meu primeiro amor foi embora sem dizer adeus.
Sem deixar carta, sem deixar explicação, sem deixar sequer um último olhar para eu guardar na memória.
Ele simplesmente partiu…
E desde então, eu nunca mais fui inteira.
Tem gente que acha exagero dizer que um amor pode destruir alguém por dentro.
Mas só entende quem já ficou olhando para o teto de madrugada, tentando esquecer alguém que nunca saiu da alma.
Ele foi o primeiro homem que fez meu coração acelerar sem esforço.
O primeiro que segurou minha mão e fez o mundo parecer menos cruel.
O primeiro beijo que ficou marcado na minha boca mesmo depois de tantos anos.
O primeiro abraço onde eu achei que tinha encontrado lar.
E talvez seja por isso que dói tanto.
Porque primeiros amores não vão embora completamente.
Eles deixam pedaços deles espalhados dentro da gente.
Na música favorita.
No cheiro da chuva.
Na esquina da cidade.
No silêncio da madrugada.
Em cada detalhe pequeno que o coração insiste em transformar em lembrança.
Ele me deixou sem rastro.
Como alguém que atravessa uma estrada vazia durante a noite e desaparece antes do amanhecer.
Sem explicações.
Sem promessas quebradas.
Sem nem ao menos olhar para trás.
E eu fiquei.
Fiquei com as mensagens antigas.
Com as lembranças bonitas que agora machucam.
Com os planos que nunca saíram do papel.
Com as palavras que nunca consegui dizer.
Com o amor inteiro preso no peito, sem ter para onde ir.
O pior tipo de saudade é aquela que não encontra resposta.
Porque quando alguém morre, a vida obriga a gente a aceitar.
Mas quando alguém escolhe ir embora…
a alma passa anos perguntando o motivo.
Eu me perguntei tantas vezes onde foi que eu errei.
Se eu amei demais.
Se fui intensa demais.
Se me entreguei demais.
Ou se simplesmente fui apenas um capítulo enquanto ele era meu livro inteiro.
E dói admitir isso.
Dói perceber que existem pessoas que conseguem nos esquecer enquanto ainda estamos tentando reaprender a respirar sem elas.
Às vezes eu finjo que superei.
Rio nas fotos.
Converso normalmente.
Posto frases bonitas.
Mas ninguém vê o vazio que aparece quando a noite chega e o silêncio começa a gritar o nome dele dentro de mim.
Porque saudade não faz barulho para os outros.
Ela destrói em silêncio.
E eu sinto falta de coisas tão pequenas que chega a ser cruel.
Do jeito que ele pronunciava meu nome.
Das conversas sem sentido.
Do toque das mãos dele nas minhas.
Do olhar que parecia prometer eternidade mesmo sem dizer palavra alguma.
Tem noites em que eu quase consigo esquecer.
Mas basta uma música antiga tocar…
e pronto.
Meu coração volta correndo para alguém que talvez nunca mais volte para mim.
É estranho amar alguém que virou ausência.
Estranho continuar sentindo carinho por alguém que desapareceu sem lutar pela permanência.
Estranho carregar tanto amor por alguém que talvez nem lembre mais da minha existência.
Mas o amor é assim.
Ele nem sempre acaba quando deveria.
Existem pessoas que vão embora fisicamente…
mas continuam morando dentro da gente por anos.
Meu primeiro amor me deixou sem rastro.
Mas deixou marcas profundas demais para desaparecerem.
E talvez essa seja a pior parte de amar alguém intensamente:
você continua sentindo falta até daquilo que te machucou.
Hoje eu entendo que algumas histórias não terminam.
Elas apenas ficam inacabadas dentro do peito.
Como cartas nunca enviadas.
Como despedidas nunca ditas.
Como lágrimas escondidas atrás de sorrisos cansados.
E se algum dia ele voltar…
talvez me encontre diferente.
Mais forte.
Mais fria.
Mais silenciosa.
Mas ainda assim…
com um pedaço do coração reconhecendo imediatamente o homem que foi meu primeiro amor e minha primeira dor impossível de esquecer.
Porque existem pessoas que passam pela nossa vida…
e existem aquelas que levam parte dela embora quando partem.
Ele levou a minha.
E até hoje, em algumas madrugadas, eu ainda procuro vestígios dele dentro das minhas memórias…
como quem tenta encontrar flores vivas em um jardim que morreu faz tempo.
—Paulinha Cunha—
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