Em Cada Suspiro, Você
Em cada suspiro, você,
como se o ar soubesse o seu nome
antes mesmo de chegar aos meus pulmões.
Respiro fundo…
e é você quem entra,
fica, permanece.
Você mora nos intervalos do meu silêncio,
nas pausas do meu pensamento,
nos instantes em que fecho os olhos
e deixo o mundo lá fora
para te sentir aqui dentro.
Em cada suspiro, você,
feito lembrança viva,
feito desejo manso e ao mesmo tempo urgente,
feito amor que não pede licença
e simplesmente acontece.
Há dias em que meu peito aperta
não de dor,
mas de excesso de sentir.
É você ocupando todos os espaços,
transbordando onde antes havia vazio,
ensinando meu coração
a bater com outro ritmo.
Você é a saudade que chega mesmo quando está perto,
é a presença que insiste mesmo quando vai embora.
É o nome que meus lábios quase pronunciam
quando o silêncio fica pesado demais.
Em cada suspiro, você,
nos meus medos mais secretos,
nas minhas coragens recém-descobertas,
na fé que renasce
toda vez que penso em nós.
Se eu pudesse escrever o amor,
ele teria o seu rosto.
Se eu pudesse desenhar o destino,
ele teria o seu caminho cruzando o meu.
Se eu pudesse escolher um lugar para morar, seria no seu abraço.
Você me ensinou
que amar não é perder-se,
é encontrar-se no outro
sem deixar de ser quem se é.
Que amar não é prisão,
é abrigo.
Não é cobrança, é entrega.
Em cada suspiro, você,
quando sorrio sem perceber,
quando choro sem entender,
quando sigo mesmo cansada,
porque sei que em algum lugar
existe um nós esperando.
Se um dia o tempo tentar nos apagar,
que falhe.
Porque você já está gravado
naquilo que ninguém vê,
mas tudo sente.
Em cada suspiro, você,
até quando eu não souber mais dizer nada,
até quando a voz falhar,
até quando restar apenas o coração
falando sozinho…
ainda assim,
será você.
— Paulinha Cunha —
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Em Cada Suspiro, Você