Em Teu Silêncio
Em teu silêncio encontro tempestades,ondas que quebram sobre minhas certezas,
e mesmo sem som, sinto o eco das tuas palavras
sussurrando segredos que nunca disseste.
Há um universo inteiro guardado nos teus olhos,
constelações de dor, de amor, de saudade,
e eu me perco nelas, navegando sem rumo,
afogado na calmaria que tua ausência provoca.
Cada gesto teu é um poema não escrito,
cada olhar, uma história que se recusa a nascer.
No silêncio que me cerca, ouço teu coração
gritando em sinais que só minha alma entende.
Ah, como é doce e cruel teu mutismo!
Doce porque acalma e me prende ao mesmo tempo,
cruel porque deixa feridas abertas,
e me obriga a buscar respostas nas sombras.
Sinto o cheiro da tua presença ausente,
toco o vazio onde teus dedos deveriam estar,
e ainda assim, há beleza na tua ausência,
há poesia no silêncio que insiste em me chamar.
Em cada madrugada, te busco nas lembranças,
nas risadas que ecoam entre paredes antigas,
e mesmo sem som, ouço teu riso me atravessando,
como se o vento carregasse tua essência pelo quarto.
Teu silêncio é uma canção sem melodia,
uma dança sem música,
um jardim secreto onde florescem os sentimentos
que nunca ousaste plantar.
E eu fico aqui, aprendiz do teu silêncio,
decorando cada pausa, cada espaço entre teus gestos,
aprendendo a falar com aquilo que não é dito,
a amar o que não se revela.
Porque no teu silêncio,
descubro mundos,
descubro amores,
descubro-me inteiro, mesmo que você nunca o veja.
E assim, em cada suspiro contido,
em cada olhar que se encontra no vazio,
aprendo que o silêncio pode ser a forma mais pura
de amar sem palavras,
de sentir sem tocar,
de existir sem estar.
E mesmo que nunca me digas nada,
teu silêncio fala, e eu escuto,
com a intensidade de quem ama,
com a força de quem espera,
com a fé de quem acredita
que até no silêncio, o amor sobrevive.
—Paulinha Cunha—
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