Enterrados Vivos Dentro da Saudade
Algumas pessoas não são esquecidas…
são enterradas vivas dentro da gente,
onde o tempo não alcança,
onde o silêncio grita mais alto que qualquer despedida.
Elas não partem de verdade,
apenas deixam de existir fora,
para continuarem existindo demais por dentro.
Como feridas que não cicatrizam,
como lembranças que não aprendem a morrer.
Há amores que não terminam…
apenas se transformam em ausência permanente,
em saudade que respira escondida no peito,
em noites longas demais para quem ainda sente.
E você…
você virou esse tipo de lembrança
que não cabe no passado,
nem encontra lugar no presente.
Virou aquele nome que a alma pronuncia em silêncio,
quando ninguém está ouvindo,
quando o mundo dorme
e o coração acorda ferido.
Eu tentei te esquecer…
mas esquecimento não é escolha
quando alguém vira morada dentro da gente.
E você construiu casa em mim
sem nunca pedir permissão.
Agora eu vivo assim:
com um pedaço seu ecoando em cada pensamento,
com uma saudade que não passa,
que não diminui,
que só muda de forma —
mas nunca vai embora.
Tem dias em que eu finjo força,
em que sorrio por fora
enquanto por dentro eu desmorono em lembranças.
E ninguém vê…
ninguém percebe
que existem pessoas que continuam vivas
mesmo depois de irem embora.
Porque algumas partidas não levam o corpo…
levam o equilíbrio.
Deixam a alma suspensa
entre o amor e a ausência.
E o pior tipo de amor
não é o que acaba…
é o que fica.
Fica como cicatriz aberta,
como música que toca sem som,
como presença invisível
que ainda ocupa todos os espaços.
Eu sigo…
mas sigo carregando você.
Sigo tentando entender
como algo tão bonito
pode doer tanto assim.
E se saudade tivesse forma,
a minha teria o seu rosto.
Se amor mal resolvido tivesse voz,
ele diria o seu nome em cada batida do meu coração.
Porque você não foi embora de mim…
você apenas se escondeu
nos lugares mais profundos da minha alma,
onde nem o tempo consegue te alcançar.
E talvez seja isso…
talvez algumas pessoas não sejam feitas para partir,
mas para permanecer
como eternas lembranças vivas
dentro do que nunca se curou.
—Paulinha Cunha—
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