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Entre Cacos, Me Encontrei

Entre Cacos, Me Encontrei
Entre cacos, me encontrei,
Nos fragmentos de um eu despedaçado,
Onde cada pedaço caído contava uma história,
E cada dor era uma luz que insistia em brilhar.

Me vi refletida nos estilhaços da alma,
E entendi que não há cicatriz que não seja poema,
Nem lágrima que não carregue a semente de um novo começo.

Houve dias em que o chão parecia infinito,
E meus passos, incertos, tropeçavam na própria sombra,
Mas foi nesse caos silencioso que ouvi meu coração falar,
Que entre ruínas, o amor-próprio floresce.

Aprendi que o vento não leva apenas folhas,
Mas também medos antigos e lembranças quebradas,
Que voam longe, se desfazendo no horizonte,
Enquanto eu reconstruo minha essência, pedaço por pedaço.

Entre cacos, me reconheci,
No eco das minhas próprias palavras,
Na força que surge quando ninguém vê,
Na coragem de olhar para o espelho e sorrir,
Mesmo que a alma ainda chore silenciosa.

E percebi que os fragmentos que carregava,
Não eram apenas lembranças de perdas,
Mas mapas secretos para encontrar a mim mesma,
Riquezas escondidas entre dores e suspiros,
Tesouros que só se revelam aos corações que ousam continuar.

Cada cicatriz é um verso, cada lágrima, uma rima,
E entre cacos, eu construí um poema maior que o medo,
Mais vasto que a solidão, mais profundo que o silêncio,
Porque a vida, mesmo em pedaços,
É a mais bela obra que podemos escrever.

Hoje, quando me toco no espelho da vida,
Vejo alguém que se perdeu para se encontrar,
Que se quebrou para descobrir a força de reconstruir,
Que entre cacos, enfim, se tornou inteira,
Porque a verdadeira beleza nasce da coragem de existir.

E é nesse renascer que me permito sonhar,
Que cada pedaço é lembrança, aprendizado,
Que cada caco é caminho, estrada e luz,
Que entre cacos, me encontrei…
E nunca mais me perdi.

—Paulinha Cunha—

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