Entre Céu e Abismo
Entre céu e abismo, caminhei sem saber
Se meus passos me levariam ao voo ou ao sofrer.
O vento sussurrava segredos que eu não podia decifrar,
E minhas mãos buscavam tocar o impossível,
Enquanto meus olhos se perdiam nas cores de um horizonte que arde.
O sol se escondia atrás de nuvens inquietas,
E a lua surgia como um espelho quebrado,
Refletindo fragmentos de sonhos que se recusavam a morrer.
Eu caía e voava ao mesmo tempo,
Em um espaço onde a razão e a loucura se confundiam.
Cada suspiro era um universo, cada lágrima, um mar profundo.
E eu mergulhava nas memórias do que fui,
No eco de palavras que nunca foram ditas,
No silêncio de promessas que o tempo devorou.
A dor era minha companheira, mas também minha mestra,
E me ensinava que até a escuridão guarda poesia.
Olhei para o abismo e ele sorriu de volta,
Chamando-me para dançar na beira do medo,
Enquanto o céu me estendia braços de luz e redenção.
E eu flutuava entre os extremos,
Entre o desejo de fugir e a necessidade de permanecer,
Entre a esperança que brilha e o vazio que consome.
As estrelas sussurravam histórias antigas,
Histórias de corações que se perderam
E encontraram nos pedaços quebrados de si mesmos,
A verdade que ninguém ousava dizer.
E eu ouvia…
Com cada fibra do meu ser, eu ouvia
O chamado do infinito, do inexplicável,
Do amor que nasce entre o medo e a entrega.
Entre céu e abismo, descobri que somos feitos
De quedas e asas, de silêncio e gritos,
De sombras que nos moldam e de luz que nos guia.
E quando finalmente percebi que não precisava escolher,
Que podia ser ao mesmo tempo
O voo e a queda, a lágrima e o riso,
O nada e o tudo,
Então entendi: estar entre céu e abismo
É viver plenamente, é sentir a vida pulsar
Dentro de cada segundo, dentro de cada instante.
E assim, eu sigo…
Entre céu e abismo,
Entre o medo e a coragem,
Entre o fim e o começo,
Entre o que sou e o que sonho ser.
—Paulinha Cunha—
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