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Entre Cicatrizes, Brilho Há dores que não fazem apenas barulho… elas fazem…

Entre Cicatrizes, Brilho

Há dores que não fazem apenas barulho…

elas fazem morada.

E ficam.

Silenciosas.

Como quem aprende a respirar dentro daquilo que quebrou.

Eu já fui chão rachado,

já fui voz engasgada no meio da própria coragem,

já fui o intervalo entre o que eu era

e o que eu fingia ser para sobreviver ao mundo.

Mas ninguém vê o instante exato em que a alma decide continuar.

Ninguém fotografa o segundo em que a lágrima deixa de cair

e vira força.

Porque existe um tipo de beleza que nasce do que doeu.

Um brilho que não vem do que nunca feriu,

mas do que foi ferido…

e mesmo assim escolheu pulsar.

Eu não me tornei leve por falta de peso.

Eu me tornei leve por aprender a carregar o que não me derruba mais.

As cicatrizes não são capítulos encerrados,

são mapas.

São lembranças de onde eu quase parei…

mas continuei.

E se alguém me perguntar onde eu encontrei luz,

eu não direi que foi no sol.

Direi que foi no escuro.

Foi lá que eu descobri

que até a noite mais longa

não consegue apagar quem nasceu para acender por dentro.

Hoje eu não escondo minhas marcas.

Eu as visto como quem veste verdade.

Porque não há nada mais bonito

do que um coração que não desistiu de aprender a brilhar

mesmo depois de tudo o que quebrou nele.

E se eu ainda estou aqui…

não é apesar das cicatrizes.

É com elas.

É por elas.

É nelas.

—Paulinha Cunha—

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